SÃO PAULO, 5 DEZ (ANSA) – Por Nadedja Calado – Trocar experiências em boas práticas, buscar financiamento europeu e internacional para projetos de sustentabilidade e desconstruir a imagem de metrópole poluída são algumas das metas da cidade de São Paulo na 28ª edição da Conferência da ONU sobre o Clima, a COP28, e na presidência brasileira do G20.   

“Queremos mostrar o que estamos fazendo em termos de preservação da biodiversidade, combate à vulnerabilidade econômica, aumento da cobertura vegetal, e ouvir experiências similares de outras pessoas e outras cidades”, disse o secretário do Verde e Meio Ambiente da capital paulista, Rodrigo Ravena, em entrevista à ANSA.   

A pasta também quer entender que tipo de projetos podem ser contemplados por financiamentos internacionais de atores que queiram investir em desenvolvimento sustentável do Sul Global: “Temos contatos previstos com instituições internacionais, como o Banco Mundial e bancos de fomento europeus”.   

Segundo o secretário, essa estratégia deve se repetir em 2024, no mandato brasileiro à frente do G20, iniciado no último dia 1º de dezembro. “Estamos participando da formatação do G20, dividida entre Rio e São Paulo, com esse mesmo olhar para buscar grandes investimentos e intervenções de grande porte que possam levar não só à mitigação, mas à adaptação para as mudanças climáticas”, afirmou.   

Entre os projetos paulistanos que poderiam ser beneficiados por esses aportes, Ravena citou a mudança da matriz elétrica da frota de transporte público, especialmente ônibus. “Mas também temos ideias importantes para as áreas de risco da cidade, a preservação do azul, da rede hídrica, melhorias para a qualidade da captação, retenção e cuidados com águas de chuva. Essas são questões sensíveis para esses bancos”, declarou.   

Além dos financiamentos em si, o titular do Meio Ambiente pretende priorizar diálogos que levem a parcerias técnicas para a formatação de projetos, inclusive com outras cidades.   

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“Queremos falar com Paris, Cidade do México, Montréal, sobre os indicadores de biodiversidade que estão desenvolvendo, critérios mais efetivos para medir o impacto das ações. Teremos conversas sobre tratamento de resíduos com Dubai e também pleiteamos uma reunião com cidades brasileiras para trocar contatos, ver o que cada um trouxe de fora”, contou.   

E para colar em São Paulo – notória pelos altos índices de poluição do ar e de seus rios-símbolo Tietê e Pinheiros – a imagem de cidade “verde”, uma das apostas é a divulgação e a implementação do PlanClima SP. Aprovado em 2021, o documento estabelece a meta de atingir a neutralidade de carbono até 2050, objetivo alinhado com o Acordo de Paris, de 2015.   

“São 43 ações prioritárias, sendo um quinto imediatas. As de curto prazo estão encaminhadas para conclusão até o final do ano que vem, são metas de arborização, emprego e renda, troca de matriz energética, reelaboração de planos de resíduos”, disse o secretário.   

“Trabalhar essa imagem faz parte de um entendimento complexo do que é o meio ambiente urbano. Falar em Amazônia é uma coisa; de ambiente e biodiversidade em São Paulo é outra. Temos um projeto de longo prazo de sensibilização ambiental da população.   

Estamos caminhando com bons debates, mas há sempre mais a entender em uma cidade que é um país, com 13 milhões de habitantes. São condições em que esse convívio sustentável se torna um grande desafio”, afirmou. (ANSA).   


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