O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, afirmou que o banco vai olhar uma possível parceria com a Caixa Econômica Federal em maquininhas. Não quis, contudo, dar detalhes uma vez que ainda não há um processo concorrencial aberto e, portanto, os detalhes de como será.
Sobre o aumento da concorrência no setor de maquininhas, Rial afirmou que é bom para o Brasil e para o consumidor. “Vejo como uma evolução natural decorrente da estabilidade da taxa de juros. Começamos a ver sinais do que significa ter Selic a 6,5%”, destacou o presidente do Santander, acrescentando que margem pressionada faz parte de “qualquer negócio”.
Rial disse ainda que o banco espera concluir a compra dos 40% do Bonsucesso na Olé Consignado até o final deste ano. Do lado do setor de cartões, ele explicou que a meta do banco é ter uma participação de 20% neste mercado. Atualmente, tem entre 13% e 14%.
Crédito
Quanto ao crédito, o presidente do Santander disse que é difícil deslanchar os empréstimos no Brasil, considerando a atividade econômica atual, mas que o patamar de expansão está alinhado ao desempenho do produto interno bruto local. Ele afirmou ainda que não vê tanto espaço para reduções maiores da inadimplência visto que o banco já apresenta boa qualidade de ativos e que as provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, não preocupam.
Crédito rural
Rial afirmou que o mercado se encarrega de baixar juros no crédito rural. A fala foi em resposta ao questionamento sobre a afirmação em “tom de brincadeira” do presidente Jair Bolsonaro, que pediu na segunda-feira, 29, ao Banco do Brasil para baixar os juros neste segmento.
De acordo com Rial, clientes com bom risco em dólar no segmento de agronegócios já conseguem se financiar abaixo do juro do crédito rural. Ele disse ainda que o banco tem hoje a “melhor oferta” de crédito para a aquisição de máquinas, com financiamentos que chegam a sete anos.
Filial brasileira
Rial disse que acha possível a filial brasileira manter representatividade de 29% na geração de resultados do grupo espanhol. “Temos uma situação específica na Europa, com baixa atividade e baixo juro, que não deve se perpetuar. A comparação não é nós com grupo, mas com nossos concorrentes e como nos comportamos”, disse ele.
O executivo afirmou que o banco não planeja comprar a fatia de acionistas minoritários no Brasil a exemplo do que fez no México. Acrescentou, contudo, que o movimento feito no passado foi acertado por conta do desempenho do Santander em território brasileiro.
Sobre as suas novas funções na América do Sul no Santander, Rial disse que, com exceção do Brasil, o mercado argentino é o de maior oportunidade de expansão a despeito da economia local. “O Brasil não tem o entorno de desvalorização cambial da Argentina, mas não podemos dizer que os últimos sete anos no Brasil foram fáceis. Não foi propício para crescimento, para crédito. A discussão há sete anos era PDD, graças a Deus mudou. Em todo cenário adverso existem oportunidades”, avaliou ele.
De acordo com o presidente do Santander, o banco vai expandir sua financeira em mercados que ainda não têm esse braço desenvolvido na América do Sul.