Sánchez e Meloni: “Confronto sobre imigração eleva tensão”

Líderes de Espanha e Itália travam batalha política em torno da questão migratória e buscam apoio interno

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A rivalidade política entre o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, intensifica-se, alimentada por um persistente duelo sobre imigração. A disputa, que se estende por anos, visa a conquista de espaço no cenário europeu e votos internos em vista das próximas eleições em ambos os países. O recente incidente em Ceuta serviu como estopim para a escalada da tensão.

  • A crise migratória em Ceuta desencadeou um novo capítulo na rivalidade entre os líderes espanhol e italiano.
  • Pedro Sánchez e Giorgia Meloni exploram o tema da imigração para consolidar suas bases eleitorais antes de eleições futuras.
  • Apesar das tensões, Espanha e Itália compartilham interesses vitais no Mediterrâneo e na União Europeia.

De fato, as relações diplomáticas entre Madri e Roma já eram mínimas mesmo antes da atual crise migratória em Ceuta. Como primeira-ministra, Giorgia Meloni nunca realizou uma visita oficial a Madri. Pedro Sánchez, por sua vez, fez apenas uma visita em 2023. Em maio passado, durante sua passagem por Roma para uma cúpula da FAO, o líder espanhol optou por visitar o Papa Francisco, mas não se encontrou com a primeira-ministra italiana.

Além disso, os progressistas espanhóis veem Meloni como uma defensora fervorosa das campanhas eleitorais recentes do partido Vox. Seu comício de 11 de outubro de 2021 tornou-se icônico, onde, ao lado de Santiago Abascal, a líder do Irmãos da Itália (FdI) foi aplaudida de pé após proferir a famosa frase: “Eu sou Giorgia, sou mulher, sou mãe, sou cristã”.

Confronto ideológico e estratégico

Também por essa razão, Sánchez, aos 54 anos, no poder desde 2018 e líder incontestável da esquerda europeia, tem plena consciência de que seu eleitorado apreciará um endurecimento do tom em relação à primeira-ministra italiana. Ela é percebida, na Espanha e em outros países, como um estandarte do “soberanismo” global, alinhada a figuras como o argentino Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella, e, apesar de atritos recentes, próxima de Donald Trump, um inimigo declarado de Madri.

O incidente em Ceuta – e a decisão subsequente de intensificar o confronto com Roma – é visto como uma oportunidade de ouro para revitalizar uma liderança socialista que se encontra gravemente desgastada pelos escândalos que vêm afetando seu partido e sua família há meses.

Por que Sánchez endurece o discurso?

A ofensiva agressiva de Sánchez contra Roma busca alcançar dois objetivos aparentemente contraditórios. Por um lado, ao lançar um ataque amplo ao governo Meloni, ele consolida seu apoio na esquerda. Ao mesmo tempo, ao suspender temporariamente as regras de Schengen para cidadãos italianos, busca silenciar os críticos de direita que, há meses, acusam o governo – citando anistias em larga escala – de permitir uma “invasão descontrolada de migrantes”.

Seu mantra de longa data, reiterado nos últimos dias, é que a Itália, país governado por uma direita de linha dura, registra “muito mais desembarques irregulares” do que a Espanha.

O Sul da Europa e a necessidade de união

Em resumo, trata-se de um confronto acirrado, apesar de a história e, sobretudo, a geografia vincularem profundamente esses dois grandes “primos do sul”. Espanha e Itália são compelidas a atuar em sintonia, especialmente em Bruxelas. Ambos dependem da estabilidade no Mediterrâneo, clamam por maior envolvimento europeu na gestão migratória, defendem a manutenção da Política Agrícola Comum e buscam fortalecer a influência do sul da Europa dentro da União Europeia.

No fim das contas, se a política não os unir, a própria urgência dos problemas forçará, mais cedo ou mais tarde, tanto Madri quanto Roma a deixar as divergências de lado e retomar a cooperação. (ANSA).