Edição nº2595 19/09 Ver edições anteriores

Galaxy Note 8: alto, magro e poderoso

Note 8 tem tela de proporção de 18;9 (Crédito:André Cardozo)

Até pouco tempo atrás, falar em celular com tela de 6 polegadas era, necessariamente, se referir a um “tijolão” pesado que só poderia ser usado por jogadores da NBA ou outras pessoas com mãos gigantescas. Com o Galaxy Note 8 (R$ 4.799 com 128 GB) a Samsung quer mudar essa história. Confira o teste.

Design

Se smartphones fossem celebridades, daria para comparar o Galaxy Note 8 ao ator Doug Jones (o Saru, de “Star Trek Discovery”): muito alto e muito magro. Com tela de 6,3 polegadas e proporção de 18:9, ele pode ser segurado sem problemas com uma só mão e mesmo o peso de 195 gramas não incomoda.

Essa tela gigante traz benefícios principalmente quando usamos o telefone na vertical. É possível ver mais apps na tela e rolar menos a tela para ler notícias, livros etc. Na horizontal a tela “esticada” do Galaxy Note 8 não é aproveitada por completo, já que em muitos casos os vídeos (normalmente feitos na proporção de 16:9) não ocupam a tela inteira.

O Galaxy Note 8 traz um elegante acabamento em vidro, mas ele tem lá suas desvantagens. Esse tipo de acabamento foi muito usado pela Sony alguns anos atrás, mas moda não pegou. Em 2017, no entanto, a traseira de vidro voltou a aparecer em celulares de ponta. É um acabamento que divide opiniões. Por um lado, o vidro fornece um acabamento elegante e, diferentemente do metal, não interfere na questão eletromagnética dos sinais de celular, Wi-Fi etc.

Além disso, celulares com traseira de metal não podem ser usados em sistemas de carregamento sem fio. Essa pode ser a principal razão pela escolha do vidro na parte traseira do Galaxy Note 8 (que suporta o padrão Qi para carregamento sem fio), já que o plástico costuma ser usado em modelos mais baratos.

Por outro lado, o vidro deixa o celular mais suscetível a rachaduras e trincas em caso de queda. Além disso, a traseira do aparelho é um “ímã de digitais e suor” e fica “engordurada” com poucos minutos de uso. Particularmente, prefiro o metal e não gosto de traseiras de vidro. Mas se você vai gastar mais de R$ 4 mil em celular certamente pode comprar uma capinha e resolver o problema.

Outro detalhe negativo é o botão físico dedicado exclusivamente ao Bixby, o assistente de voz da Samsung. Ele é praticamente inútil para brasileiros, já que o Bixby não reconhece nosso idioma e mesmo em inglês fica atrás do Google Assistant. Seria muito melhor se houvesse uma forma fácil de reconfigurar o botão para uma função mais útil, como disparar a câmera. Já existem na Play Store alguns apps que reconfiguram o botão, mas eles nem sempre funcionam adequadamente.

Configuração

Note 8 roda Android 7.1.1 (Crédito:André Cardozo)

Com relação ao desempenho, não há muito o que comentar. Equipado com o melhor processador da Samsung e 6 GB de RAM, o Note 8 é extremamente rápido em qualquer tarefa, como seria esperado de um celular de mais de R$ 4 mil. No teste do aplicativo de benchmark AnTuTu, ele obteve a marca de 175.019 pontos, mais do que o triplo da média de celulares intermediários como o J7 Neo, também da Samsung e testado recentemente por aqui.

Já falamos aqui sobre os benefícios da tela infinita. Mas adotar esse conceito também implica em algumas consequências nem tão agradáveis. Com a tela ocupando toda a frente do aparelho, o leitor de digitais tem que ser deslocado para a traseira. E, no caso do Note 8, a posição do leitor não é das melhores. Ele fica ao lado da câmera, na parte superior esquerda da traseira. É uma área difícil de acessar com o aparelho em uma só mão.

Em meus testes o destravamento por íris até que funcionou melhor do que no S8, mas ainda não é instantâneo. Na maioria das vezes, tive que gastar alguns segundos posicionando o aparelho na posição exata para que o recurso funcionasse. No fim das contas, o bom e velho destravamento por desenho de padrão na tela acabou sendo o mais prático, algo inusitado para um celular com tantos recursos de ponta.

Na parte de conexões, o Galaxy Note 8 usa o conector USB-C, mas felizmente a Samsung incluiu um adaptador para acessórios do padrão Micro-USB. Outro ponto positivo é que, apesar de ser bem fino, o Note 8 traz entrada para fone de ouvido, algo que infelizmente alguns fabricantes têm removido de seus smartphones mais novos.

Câmera e bateria

Um dos maiores diferenciais entre smartphones de ponta e intermediários é a câmera, e o Galaxy Note 8 não decepciona aqui. Seguindo a moda da câmera dupla, o Note 8 tem na verdade duas câmeras traseiras. Com elas, é possível por exemplo desfocar rapidamente o fundo de uma foto. As câmeras têm todos os recursos de ponta disponíveis no momento, incluindo estabilização óptica e foco com detecção por fase. O Note 8 também chama atenção por ser uma das poucas no mercado com zoom óptico (de 2x). No fim das contas, como previsível, a qualidade das fotos é excelente.

A bateria de 3.300 mAh do Note 8 foi bem nos testes. No teste padrão de uso, com vídeo do YouTube rodando continuamente em tela cheia , ela durou 9h30, acima da média de 8h de outros celulares testados por aqui. Em um teste mais próximo do cotidiano, com uso variado de apps, música e vídeo, ela foi suficiente para dois dias de uso.

Caneta S Pen

Caneta S Pen é encaixada na parte inferior do Note 8 (Crédito:André Cardozo)

Com foco na produtividade, o grande diferencial da linha Note em relação a outros smarphones sempre foi a caneta digital S Pen, e isso vale também para o Galaxy Note 8. No Note 8, a caneta fica guardada em uma pequena entrada do canto inferior direito do aparelho. Assim que ela é retirada, um ícone de lápis aparece na tela.

A maior facilidade proporcionada pela caneta é sem dúvida fazer anotações rápidas apenas escrevendo sobre a tela. Também é possível usar a caneta para fazer desenhos e marcações sobre qualquer imagem exibida na tela do aparelho. As anotações são salvas no app Samsung Notes e marcações feitas em telas de outros aplicativos são salvos como imagens.

No Galaxy Note 8, a Samsung adicionou o recurso de mensagens animadas. Ele permite criar mensagens combinando desenhos e fotos e gerar um GIF animado com o resultado.

Conclusão

Com o Galaxy Note 8 a Samsung se recupera plenamente do fiasco do Note 7. A configuração é de primeira, o aparelho tem design caprichado e a caneta digital é bastante útil principalmente em apps de produtividade. Apesar de algumas leves escorregadas no design, ele é o melhor smartphone com Android do momento. Se você não faz questão da canetinha, vale avaliar também o Galaxy S8+, praticamente um irmão gêmeo do Note 8 com configuração ligeiramente inferior.

Ficha técnica – Galaxy Note 8

Configuração: sistema Android 7.1, processador Exynos octa core 8895 2,3 GHz , 6 GB de RAM, 128 GB de armazenamento (112 GB de espaço livre), entrada para cartão microSD de até 256 GB, tela de 6,3 polegadas com resolução de 2.220 x 1.080, câmera traseira dupla, com duas câmeras de 12 MP, zoom óptico de 2x, câmera frontal de 8 megapixels, bateria de 3.300 mAh, proteção nível IP68 contra água e poeira, carregamento sem fio (padrão Qi), conector do tipo USB-C.
Dimensões (cm): 16,2 x 7,5 x 0,8
Peso (gramas): 195
Preço: R$ 4.399 (com 64 GB) / R$ 4.799 (com 128 GB, versão testada)


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