Sambistas, compositores, artistas e profissionais ligados ao Carnaval de São Paulo organizam uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para o próximo domingo (18), na capital paulista. O ato é promovido pela Frente Progressista do Samba, movimento que também defende políticas de valorização da cultura popular e dos trabalhadores do setor.
Com o lema “Democracia já. Democracia sempre. O samba não se cala!”, a iniciativa reúne participantes de diferentes agremiações em torno de uma carta aberta que associa a defesa da democracia à preservação das tradições do samba.
Segundo os organizadores, a mobilização já conta com mais de 2 mil participantes em grupos de WhatsApp e ultrapassou mil assinaturas de apoio.
Artistas e parlamentares confirmam participação
Entre os nomes que confirmaram presença estão a deputada federal Erika Hilton, a vereadora e deputada federal eleita Luna Zarattini e os músicos Salgadinho e Arlindinho.
A articulação também envolve representantes da comunidade ítalo-brasileira, entre eles o compositor Aquiles Accocella, conhecido como Aquiles da Vila, e Rafael Falanga, presidente da Mocidade Unida da Mooca.
A escola de samba está localizada em uma região da capital paulista historicamente marcada pela imigração italiana.
O movimento reúne pessoas de diferentes segmentos do Carnaval, mas não representa necessariamente uma posição oficial de todas as agremiações às quais seus participantes estão ligados.
Movimento manifesta preocupação com eventual vitória de Flávio Bolsonaro
Em entrevista à agência ANSA, Aquiles da Vila afirmou que a mobilização surgiu da preocupação de integrantes do samba com o cenário político e com os possíveis efeitos de uma vitória de Flávio Bolsonaro sobre as políticas culturais.
O compositor associou a iniciativa à memória das dificuldades enfrentadas historicamente pelas escolas de samba e à necessidade de preservar espaços de expressão popular.
“Já vivemos essa escuridão e sabemos como é”, declarou à agência.
Segundo Accocella, a Frente Progressista do Samba poderá continuar atuando após as eleições, com iniciativas voltadas à defesa da cultura e à denúncia de eventuais retrocessos.
A avaliação sobre os riscos políticos expressa a posição dos organizadores do movimento.
Ato terá concentração no Largo da Banana
A manifestação está prevista para começar no Largo da Banana, na Barra Funda, região central de São Paulo.
O local possui importância histórica para o samba paulistano, especialmente por sua ligação com trabalhadores negros e com a formação de manifestações culturais populares na cidade.
Após a concentração, os participantes deverão seguir em cortejo até a Rua do Samba, onde será realizado o ato público.
A escolha do trajeto busca relacionar a mobilização política à memória de espaços que contribuíram para o desenvolvimento do samba na capital.
Carta aberta relembra repressão ao samba
O documento divulgado pela Frente Progressista do Samba recupera episódios históricos de resistência e repressão enfrentados por integrantes do Carnaval paulistano.
Entre os acontecimentos mencionados estão a luta pela oficialização do Carnaval de São Paulo, em 1967, e a invasão policial da quadra da Unidos do Peruche, em 1974, durante a ditadura militar.
A carta também faz referência à morte de Pato N’Água, personagem ligado à história da escola de samba Vai-Vai.
Para os organizadores, essas lembranças reforçam a importância de preservar a memória dos sambistas que enfrentaram perseguições e dificuldades para manter suas manifestações culturais.
Frente defende financiamento da cultura e combate ao racismo
Além do apoio eleitoral a Lula, a mobilização apresenta reivindicações relacionadas à valorização do samba como atividade cultural e profissional.
Entre as propostas estão o reconhecimento do trabalho desenvolvido por integrantes das escolas de samba, o financiamento público de manifestações populares e a defesa do Estado laico.
O documento também destaca o combate ao racismo e a responsabilização de pessoas que atentem contra a ordem democrática.
Ao reunir essas pautas, a Frente Progressista do Samba pretende ampliar o debate sobre o papel social, econômico e cultural do Carnaval.
O ato de domingo deverá combinar apresentações e manifestações de integrantes do setor com posicionamentos políticos em favor da candidatura de Lula.
Da IstoÉ e Ansa