Salvini mostra abertura ao PD, mas ouve ‘não’ como resposta

MILÃO, 09 MAR (ANSA) – O líder do partido ultranacionalista Liga Norte, Matteo Salvini, deu nesta sexta-feira (9) um sinal de abertura ao Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, mas logo em seguida recebeu um “não” da sigla governista.   

Autoproclamado vencedor das eleições de 4 março, Salvini levou a Liga ao posto de partido mais votado dentro da coalizão de direita que terminou em primeiro lugar, com 37% dos votos, mas o número é insuficiente para os conservadores governarem sozinhos.   

Com isso, Salvini terá de procurar o apoio de outras legendas, mas os únicos que poderiam garantir o controle do Parlamento são o PD e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que também pleiteia o comando do governo.   

“Espero que [o PD] esteja à disposição para dar uma via de saída ao país, independentemente de quem sairá das primárias”, declarou o líder da Liga e postulante a primeiro-ministro, acrescentando que não negará o apoio de quem colocar o “trabalho” no centro do debate.   

No entanto, Salvini também reconheceu que faria uma aliança com o PD apenas em pontos específicos. “Não acredito em maiorias políticas que tenham o PD aliado à centro-direita”, acrescentou.   

A resposta do Partido Democrático foi quase imediata. O líder da legenda na Câmara, Ettore Rosato, afirmou que a Liga deve governar com quem compartilha de seu programa. “Eles não devem procurar pretextos”, disse.   

Incerteza – O atual líder do PD é o ex-premier Matteo Renzi, mas ele renunciou ao cargo após a derrota nas eleições, embora tenha dito que permanecerá durante a fase de negociações para a formação de um novo governo.   

Ainda que Renzi não participe diretamente das tratativas, sua postura é vista como uma forma de garantir que o Partido Democrático não dê o voto de confiança a um governo de direita ou populista. Por outro lado, dentro do PD, algumas alas defendem uma abertura em relação a seus adversários.   

As primárias no partido só serão realizadas depois da posse do novo governo, e o único candidato até o momento é o governador reeleito do Lazio, Nicola Zingaretti, que possui boa aceitação entre dissidentes do PD.   

No entanto, ele defende que a legenda de centro-esquerda fique na oposição. Outro possível sucessor de Renzi é o ministro do Desenvolvimento Econômico Carlo Calenda, que também rechaça alianças com M5S ou Liga.   

A saída para esses partidos pode ser uma coalizão entre eles ou buscar votos isoladamente dentro do PD. (ANSA)