Salvini defende novas eleições, mas não impõe veto a Draghi

ROMA, 3 FEV (ANSA) – O ex-ministro do Interior da Itália e secretário da Liga, Matteo Salvini, disse nesta quarta-feira (3) que a centro-direita não tem preconceitos contra Mario Draghi como possível primeiro-ministro, mas reafirmou que as eleições são a melhor saída para a crise no governo.   

“Reiteramos com coerência que o caminho a seguir são as eleições”, disse o líder do partido de extrema direita após uma cúpula com o partido Irmãos da Itália (FDI), de Giorgia Meloni, e o partido de centro-direita Força Itália (FI), do ex-premiê Silvio Berlusconi.   

“Podemos votar na primavera, as prioridades são o corte de impostos, a burocracia, o plano de vacinas e a reforma da justiça. Se Draghi quiser nos ouvir, estamos prontos”, afirmou.   

Salvini ainda acrescentou que seu “objetivo” era manter o centro bem unido e ressaltou que a Itália precisa de um governo político. Ele não informou qual decisão tomará durante as consultas previstas para esta quinta-feira (4).   

O ex-mandatário do Banco Central Europeu (BCE) já encontra dificuldades nas negociações porque o maior partido no Parlamento, o Movimento 5 Estrelas (M5S), defende um governo político e não técnico.   

Por sua vez, o outro parceiro principal na coalizão do primeiro-ministro Giuseppe Conte, o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, está a favor de dar seu voto de confiança a Draghi.   

Mais cedo, Meloni disse ter proposto a seus aliados conservadores que se abstivessem em um voto de confiança sobre o novo governo formado pelo ex-presidente do BCE.   

“Como um compromisso, podemos nos unir na abstenção. É o mais longe que posso ir “, disse Giorgia Meloni à emissora estatal RAI, assumindo “que Draghi terá sucesso na formação de um governo”.   

A crise do governo foi deflagrada após a saída do pequeno partido centrista Itália Viva (IV), do ex-premier Matteo Renzi, da base aliada, e depois de várias rodadas de negociações sem sucesso para garantir um terceiro mandato de Conte, o presidente Sergio Mattarella encarregou Draghi para formar um novo governo.   

(ANSA).