Salvador Dalí: o artista egocêntrico e rebelde que não tinha medo de testar limites

Salvador Dalí: o artista egocêntrico e rebelde que não tinha medo de testar limites

(1971) O pintor catalão Salvador Dali - AFP/Arquivos

“The man. The master. The marvel” (O homem. O mestre. A maravilha.). É assim que Salvador Dalí (1904-1989) é apresentado em exposições que são organizadas em sua homenagem. Ele é um dos artistas mais famosos de todos os tempos e que se destacava por ser versátil, irreverente, chamativo e questionador.

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Produziu durante décadas muitas pinturas, esculturas, gravuras, objetos, joias e até filmes com Luis Buñuel e Alfred Hitchcock. Sua obra visionária o posicionou como o artista surrealista mais importante do mundo, dando início a uma nova geração de expressão imaginativa. Na sua arte, na sua vida pessoal e até em seus empreendimentos profissionais, ele sempre assumiu grandes riscos, provando o quão rico é possível ser quando você ousa abraçar a criatividade e mergulhar em um trabalho sem limites.

Ele é ultra popular até os dias de hoje. Era conhecido por seu estilo de vida luxuoso, pelo bigode que desafiava a gravidade e por produzir uma arte bizarra e, ao mesmo tempo, super interessante e repleta de significados. Nada abalava esse artista espanhol que, sem dúvida, era um dos mais egocêntricos da história da arte. Foi também um dos expoentes mundiais da arte contemporânea, sempre mantendo sua excentricidade e rebeldia. Mas, como costumo dizer, ele podia ser assim porque era Dalí. Dizia: ‘Se algum dia eu morrer embora seja improvável, espero que as pessoas digam: Dalí morreu, mas não inteiramente’. Risos!

Muitos tentaram encontrar respostas para a origem de suas ideias. Alguns acreditavam que sua pintura expressava seus sonhos e alucinações, explorando seus mais profundos desejos eróticos, assim como fetiches, morte, símbolos religiosos e decadência. Dizem que parte de sua inspiração vinha de momentos de supetão. Sentava-se em uma cadeira e tentava dormir. Quando caía no sono, uma colher mal equilibrada caía no prato, fazendo um barulho alto o suficiente para acordá-lo com condições de desenhar as imagens surreais que via em seus sonhos.

Outros afirmam que ele era pirado por causa da infância peculiar. Sua mãe teve um outro bebê antes dele nascer, mas o menino morreu por causa de uma infecção no estômago. Essa criança também se chamava Salvador Dalí e o artista era considerado pelos pais como a reencarnação do falecido irmão. Com isso, tinha reações estranhas, misturava dor e prazer, e muitas vezes machucava amigos sem nenhum arrependimento. Dalí não aceitava regras. Sua rebeldia fez com que fosse expulso de todos os centros de ensino nos quais se matriculou, entre eles a Academia Real de Belas Artes de São Fernando, em Madri.

Reprodução

Uma de suas obras mais emblemáticas é “A Persistência da Memória”, produzida em 1931, quando tinha 27 anos. Seus relógios moles foram uma de suas marcas registradas e esse quadro faz parte do acervo do MoMA –  Museu de Arte Moderna de Nova York. Fazia instalações surreais como “Dalí Atômico”, desenvolvida em conjunto com o famoso fotógrafo Philippe Halsman. Dalí, sua mobília e diversos gatos ficaram suspensos no ar por fios de nylon enquanto uma corrente de água entrava na cena. Porém, a ideia não foi simples de ser executada e teve que ser refeita por 28 vezes. Atualmente, certamente seria condenado por maus tratos a animais.

Gostava de dinheiro muito mais do que seus colegas artistas. Era ganancioso e aproveitava todas as oportunidades possíveis para se promover, para lucrar com sua imagem ou ganhar com facilidade. Chegou a mandar um pedaço de grama seca para enganar Yoko Ono, que desejava comprar seu bigode por 10 mil dólares. Em jantares com amigos regados a vinhos caros, costumava se oferecer para pagar a conta. Rabiscava um desenho qualquer no verso do cheque e colocava os donos de restaurante em uma cilada: compensar o cheque que pagava a refeição ou guardar o desenho como uma relíquia milionária.

Ele era um rei do marketing e vivia chamando a atenção para ganhar mais. Além do bigode, que era sua marca registrada, costumava usar roupas e trajes extravagantes, como o de mergulhador utilizado para chamar a atenção durante uma palestra. Criou uma cena fictícia em uma livraria dos Estados Unidos, ao se deitar em uma maca ao lado de médicos falsos. Cada vez que um fã comprava um livro, ele dava de presente um papelzinho com a leitura de sua saúde registrada por uma máquina igualmente fake.

A vida era diversão para Dalí, que a aproveitava com muitos amigos famosos, como Elvis Presley, John Lennon, David Bowie, Pablo Picasso e até mesmo Sigmund Freud. As cenas com a lenda do rock Alice Cooper merecem ser vistas na Internet para garantir risos por conta do casaco de pele de girafa e as meias brilhantes que ele pegou emprestado de Elvis para chamar a atenção. Dalí produziu um holograma para homenageá-lo e a cena ganhou as manchetes americanas, assim como outras centenas de situações hilárias que foram registradas durante os quase dez anos que viveu nos Estados Unidos. Em solo americano, pintou muitos quadros e fez retratos de artistas, intelectuais e empresários. Desenhou joias. Decorou vitrines, jardins, casas e teatros, além de organizar festas glamourosas. Sua extensa obra pode ser vista em dezenas de países e em museus que reúnem importantes coleções como The Dalí Museum (Estados Unidos), Dalí Theatre-Museum (Espanha) e Dalí Paris (França).

Dalí também chamava a atenção pela opinião forte e pelas frases marcantes. Dizia: “A cada manhã, quando acordo, sinto novamente um prazer supremo: o de ser Salvador Dali”. “Aos seis anos, queria ser cozinheiro. Aos sete, eu queria ser Napoleão. E minha ambição tem crescido constantemente desde então”. Porém, esse artista extremamente seguro em suas opiniões, tinha seu ponto fraco.

O amor de sua vida foi Gala (Elena Ivanovna Diakonova), uma mulher que era casada com o poeta surrealista francês Paul Eluard quando se conheceram em 1929. Gala foi muito mais do que uma simples musa. Mesmo depois de se casarem, mantiveram um relacionamento aberto, transparente e muito feliz. Ela era dez anos mais velha e faleceu antes de Dalí, deixando-o em profunda depressão nos últimos anos de vida.

A coluna de hoje é dedicada ao amigo José Antonio Ramalho. Escreva para sugerir um tema ou para contar algo sobre seu artista preferido. Adoro boas histórias! Você pode me encontrar no Instagram Keka Consiglio ou no Twitter.

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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