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Salles anuncia plano de criação de fundo com BID para Amazônia

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Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente (Crédito: AFP/Arquivos)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou nesta quinta-feira, 19, o plano de criação de um fundo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a Amazônia. Não há detalhes sobre os países ou entidades doadoras, recebedoras, valor ou prazo para início da vigência do fundo. O ministro afirmou, após uma reunião com o presidente do banco, Luis Alberto Moreno, em Washington, que o fundo será um “mecanismo importante para avançar na bioeconomia, pagamento por serviços ambientais”.

“Essa estruturação ainda estamos montando, mas é um fundo que contempla países e setor privado tanto na ponta de doação quanto do recebimento dos investimentos, para desenvolvimento, para pesquisa, para desenvolvimento de atividades. Tende a ser um instrumento muito consistente para finalmente desenvolver essa oportunidade da bioeconomia na Amazônia”, afirmou Salles.

Ele disse que os valores serão “bastante significativos”, mas disse que ainda não há cifras. Dentro do BID, havia a discussão sobre a possibilidade de utilizar um fundo já existente para o apoio à região, mas a opção feita durante a reunião com Salles foi para a criação de um novo fundo.

Enquanto o ministro faz negociações durante agenda nos Estados Unidos, o Fundo Amazônia, com doações de Noruega e Alemanha, está atualmente paralisado. O ministro chegou a dizer em julho que o Fundo Amazônia poderia ser extinto. O governo tenta rever mecanismos de gestão do fundo que conta com a verba dos europeus. Os recursos do Fundo Amazônia destinados a ações de combate a incêndios na região da floresta têm papel fundamental no trabalho desempenhado pelo Ibama na região, conforme revelou reportagem do Estado.

Na agenda na capital americana, Salles se reuniu com investidores e concedeu entrevistas a veículos de imprensa estrangeiros, na tentativa de acalmar ânimos sobre a situação das queimadas na Amazônia, que tem atraído preocupação internacional. Inicialmente, ele se reuniria com integrantes do Competitive Enterprise Institute (CEI), entidade que “questiona o alarmismo com o aquecimento global”, mas o encontro saiu da agenda final.

Ministro é alvo de protesto

O ministro foi alvo de protestos ao chegar a um evento em Washington, na capital dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 19. Cerca de dez manifestantes esperaram Salles aos gritos de “vergonha”, “pare com as queimadas” e “terrorista”, na portaria da Câmara de Comércio americana, onde ele teve um encontro a portas fechadas com empresários.

A manifestação foi organizado por integrantes do GreenPeace, Code Pink, Amazon Watch e Brazilians For Democracy and Social Justice. “Queremos garantir que essas visitas não passem despercebidas. Estamos aqui para lembrar Salles e Bolsonaro para que não queimem a Amazônia e perguntar por que se reunir com investidores e negacionistas do clima”, afirmou Diana Ruiz, integrante do Greenpeace.

O ministro considerou que os protestos são parte do processo democrático. “Nós estamos aqui sempre abertos ao diálogo, esse é um papel que nós desempenhamos desde sempre”, afirmou. Salles entrou pela garagem do local, depois de um integrante da embaixada brasileira em Washington verificar a presença de manifestantes. A agenda do ministro só foi divulgada no meio do dia e todos os eventos na capital americana são fechados, sem presença de público ou imprensa.

Salles afirmou que pretende discursar na Cúpula do Clima da ONU, na próxima semana, se a organização do evento permitir falas de autoridades além de chefes de estado. O Brasil ficou de fora da lista de oradores do encontro, que acontecerá na segunda-feira em Nova York.

O Itamaraty informou que o Brasil não chegou a se inscrever na lista de interessados em discursar, pois o presidente não estará presente na sessão. “A informação que nós temos é que as falas estão sendo reservadas para os chefes de Estado. O presidente não vai estar aqui na segunda-feira. (…) Se esse fato se alterar, nós estamos à disposição para apresentar a posição brasileira sobre o assunto e eu tenho certeza que vai ser uma posição muito positiva”, afirmou Salles.

O critério para elaboração da lista de oradores foi além da presença de chefes de Estado. A ONU pediu aos países que enviassem informações sobre aumento da ambição dos compromissos climáticos. A intenção era dar espaço nos discursos para aqueles países que tivessem atitude inspiradora sobre combate à crise ambiental e demonstrassem novas metas a serem perseguidas e programas a implementar.

Salles afirmou que Bolsonaro “virá representar o Brasil” na ONU, mas respeitando limitações médicas, em razão da recuperação de uma cirurgia. “(O presidente) virá para a agenda que só ele pode fazer, que é de abertura da Assembleia Geral e os demais temas estão a cargo dos ministros, que é o trabalho que eu estou fazendo aqui”, afirmou o ministro.

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