O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta quinta-feira, 29, que o resultado do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2025 é “compatível com o maior juro real do mundo”, excetuando a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia.
O saldo de empregos em 2025 foi de 1.279.498 postos de trabalho, pouco abaixo da projeção intermediária, que era de abertura líquida de 1,4 milhão de vagas. O resultado representou crescimento de 2,71%, que é menor do que o crescimento registrado em 2024 (3,69%) e 2023 (3,30%). Este foi o pior resultado para um ano desde o início da série histórica atual, iniciada em 2020, na pandemia. Naquele ano, o País fechou 189.393 postos de trabalho.
Marinho aproveitou para criticar novamente o Banco Central (BC). Ele afirmou que vinha alertando sobre o processo de desaceleração do ritmo de crescimento da economia e isso acabou acontecendo. “Não se trata de desaquecimento da economia, felizmente. Não se trata de queda na economia, mas é no ritmo do crescimento”, disse.
Sobre a decisão desta quarta-feira, 28, do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 15,0% ao ano, ele disse que ela veio dentro do esperado, mas as medidas de corte têm vindo “com atraso”.
Projeção para 2026
Sobre 2026, Marinho disse que é possível que a atuação do BC pode comprometer um bom pedaço do ano, “por responsabilidade exclusiva do monitoramento que o Banco Central faz, e acho que faz de forma muito conservadora”.
O ministro disse esperar um 1º trimestre “bom”, pois haverá aumento real do salário mínimo e a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda (IR). “Espero que isso ajude a segurar a economia, para manter o crescimento da economia.”
“Acho que a gente começa o ano positivo, levando em consideração o que nós, o que as decisões do presidente Lula, do nosso governo, colocam no mercado. Nós liberamos, para 29 de dezembro, R$ 3,8 bilhões de Fundo de Garantia retido. No dia 12 de fevereiro, liberamos R$ 3,911 bilhões da segunda etapa dos recursos retidos do Fundo de Garantia, do saque-aniversário”, completou.
PAT e vale-alimentação
O ministro do Trabalho e Emprego disse ainda que a entrada na Justiça de empresas contra as mudanças no vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR) é “um direito dos esperneantes”. “Sempre é permitido espernear à vontade. Mas liminares foram feitas para serem derrubadas no Judiciário. Infelizmente, muitos magistrados, em vez de perguntar o porquê das polêmicas, simplesmente vão decidir – com a leitura eventualmente, muitas vezes, rasa – o que está sendo debatido”, disse a jornalistas. “As instâncias superiores fazem os ajustes que eu tenho certeza que farão”, disse.
Nos últimos dias, empresas tradicionais do mercado – Ticket, VR e Pluxee – obtiveram vitórias na Justiça para suspender a aplicação de penalidades previstas no decreto que reformulou as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
O decreto deverá entrar em vigor no dia 9 de fevereiro, o que tem levado à corrida por decisões judiciais, algumas favoráveis às incumbentes.