João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, foi preso na noite de segunda-feira, 5, no Aeroporto Regional de Jericoacoara, na comunidade de Cajueirinho, litoral do Ceará, por uso de documento falso.
Por meio de nota enviada à IstoÉ, a Polícia Militar do Ceará informou que a 2ª BPTur (Companhia do Batalhão de Policiamento Turístico) foi acionada para averiguar a situação de uma tentativa de embarque em um voo para Guarulhos, em São Paulo, com uso de documento falso. “Diante da confirmação da irregularidade, foi dada voz de prisão ao suspeito, que se encontrava utilizando tornozeleira eletrônica, a qual estava descarregada no momento da abordagem”, emendou.
Em seguida, João foi conduzido à Delegacia Regional de Acaraú, onde foi instaurado o Inquérito Policial.
Quem é o ex-CEO
João Ricardo fundou a plataforma de turismo Hurb, anteriormente conhecida como Hotel Urbano, em janeiro de 2011. Sua trajetória à frente da empresa foi marcada por controvérsias, que resultou na sua renúncia do cargo de CEO em abril de 2023.
A saída ocorreu me meio a uma crise de imagem devido a uma enxurrada de reclamações de clientes sobre cancelamentos de reservas e problemas financeiros da empresa. A situação se agravou depois que João insultou e ameaçou expor dados pessoais de clientes insatisfeitos nas redes sociais.
Em carta divulgada à época, o empresário reconheceu seus erros e destacou que o seu afastamento tinha como intuito separar sua imagem pessoal da empresa. Ele ainda mencionou a morte de sua mãe como um fator que contribuiu para seu comportamento agressivo.
Ainda no mês de abril, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb no Cadastur, impedindo a empresa de operar no ramo turístico. A decisão se deu devido às denúncias de descumprimento contratual e um grave volume de reclamações de consumidores nas esferas administrativa e judicial.
Além disso, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) determinou que a Hurb apresentasse informações detalhadas sobre a sua situação financeira, incluindo o número de contratos pendentes e o valor total devido aos clientes afetados. Após 12 meses de tentativas de acordo, a secretaria considerou a atuação da empresa inviável operacional, técnica e financeiramente.
Por meio de nota pública, a Hurb alegou ter sido surpreendida pela medida do Ministério do Turismo, classificando-a como “mais política do que técnica” e acusando a Senacon de abandonar as negociações. Atualmente o site da empresa está fora do ar.
Furto de obras de arte
No início de 2025, João já havia sido preso por suspeita de furto de obras de arte de um hotel de luxo e de um escritório de arquitetura localizados na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
À época, as investigações apontaram o ex-CEO como principal suspeito do crime.