Descrito como “precário”, “violento” e “um inferno na terra”, o Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn, em Nova York (EUA), abriga atualmente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas também já recebeu o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) José Maria Marin entre 2018 e 2020, após condenação pelos crimes de conspiração para fraude bancária e lavagem de dinheiro.
Em maio de 2015, o FBI deflagrou o operação Fifagate que tinha como objetivo investigar um esquema global de corrupção envolvendo dirigentes da Fifa, Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e empresas de marketing esportivo.
Durante a ação, sete dirigentes da Fifa foram presos em um hotel de luxo em Zurique, na Suíça, por solicitação da Justiça norte-americana. Marin estava entre eles.
O ex-presidente da CBF foi acusado de receber propinas que somaram US$ 6,5 milhões (cerca de R$ 34 milhões, na cotação atual) por contratos relacionados a torneiros como a Copa do Brasil, a Libertadores e a Copa América.
Em dezembro de 2017, José Marin foi condenado em Nova York a quatro anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de organização criminosa. Em agosto de 2018, também foi multado em US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6 milhões) e teve de devolver US$ 3,3 milhões (cerca de R$ 17 milhões) obtidos ilegalmente. Na sentença, os atos do brasileiro foram classificados como parte de um “roubo descarado do coração do futebol”.
Em outra decisão, ex-presidente da CBF também foi obrigado a restituir entidades como Fifa e Conmebol em cerca de US$ 137 mil (R$ 519 mil), referentes a salários e benefícios recebidos enquanto ocupava cargos nas entidades.
Durante a pandemia de Covid-19, Marin obteve liberdade antecipada por razões humanitárias e retornou ao Brasil. Em 2023, o ex-dirigente sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em São Paulo e morreu aos 93 anos.
Como é o presídio federal
O MDC foi construído na década de 1990 e fica a poucos metros do porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros de pontos turísticos como a Quinta Avenida e o Central Park.
A construção ocupa uma área onde antigamente funcionava antigos armazéns usados para depósito e distribuição de mercadorias transportadas por navios que atracavam no terminal marítimo.
Embora tenha sido projetado para abrigar detentos provisórios, onde homens e mulheres aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do Brooklyn, o MDC também mantém detentos já condenados a penas de curta duração, segundo o Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos (BOP, na sigla em inglês).
A estrutura do local é cercada por barricadas de aço e equipado com câmeras de vigilância de longo alcance. Mesmo com formato vertical, o edifício conta com espaços para práticas esportivas ao ar livre, unidade de saúde, consultório odontológico e até uma biblioteca.
Não há informações oficiais sobre as situações internas das celas. No entanto relatos da mídia estadunidense e internacional indicam que os espaços são reduzidos e os presos permanecem confinados na maior parte do dia.