Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Renata Capucci, de 49 anos, revelou um drama. Em um dos podcasts do “Fantástico”, da Globo, a jornalista contou ter sido diagnósticada com Parkinson em 2018, quando gravava o programa “Popstar”. No desabafo, Renata ainda disse também que sofreu uma depressão ao receber o diagnóstico.

Veja abaixo o relato de Renata Capucci:

“Chegou a minha hora, chegou a minha vez de me libertar. Porque viver com esse segredo é ruim. Você se sente vivendo uma vida fake, porque parte de você é de um jeito e você fica escondendo a outra parte de outras pessoas, no meu caso a maioria das pessoas, porque eu sou uma pessoa pública. Eu fui diagnosticada com doença de Parkinson em outubro de 2018, quando eu tinha 45 anos. Hoje, eu tenho 49.

As pessoas falavam para mim: ‘Por que você está mancando, Renata?’. E eu falava: ‘Eu não estou mancando’. Eu não percebia que eu estava mancando. Em um dado momento, no meio do ‘Popstar’, depois do sexto programa, eu estava em casa e o meu braço subiu sozinho, enrijecido. E o meu marido, que é médico, logo depois do programa, me levou para um hospital que tinha emergência neurológica, e eu fui diagnosticada com Parkinson. Aquilo caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça.

Só que eu estou aqui para dizer isso para vocês, para quem está ouvindo o podcast, porque eu estou viva. Quatro anos depois, eu estou bem, eu sou feliz. Eu não quero virar mártir. Eu não quero que tenham pena de mim. Ao contrário, eu tenho orgulho da minha trajetória. Eu tenho orgulho da maneira como eu encaro essa doença, porque eu encaro ela de frente hoje”.

A Istoé Gente conversou com o médico Wanderley Cerqueira de Lima, que é neurocirurgião do Hospital Israelita Albert Einstein, que explicou tudo sobre a doença de Renata Capucci. Confira!

“Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa e de evolução progressiva que ataca o sistema nervoso central. Sua causa é indefinida, embora fatores genéticos e ambientais podem ser determinantes como remédios para o tratamento de distúrbios psíquicos (principalmente o remédio Aldol), agrotóxicos e outras substâncias químicas. A doença acomete com maior frequência os homens, do que as mulheres e, geralmente, surge após os 50 anos de idade. Mas também pode surgir em outras faixas etárias. Parkinson precoce pode ocorrer entre entre os 40/50 anos”, começou o médico.

“O paciente apresenta manifestações motoras e não-motoras e a demência pode surgir em 5 ou mais anos após o início dos sintomas. Como não há cura, o tratamento é feito à base de medicamentos que buscam reduzir a progressão da doença”.

“No caso da jornalista Renata Caputti, ela cita que não percebia que estava mancando e depois o marido percebeu seu braço rígido. Isso pode acontecer,e é, especialmente, importante ficar atento a qualquer situação diferente nas manifestações de tremores, e rigidez no corpo”, continuou Wanderley Cerqueira.

Manifestações da doença de Parkinson

  • Tremores
  • Rigidez muscular
  • Diminuição dos movimentos
  • Alterações da postura e do equilíbrio.

Sintomas não motores:

  • Disfunções autonômicas (hipotensão postural, sintomas gastrointestinais, constipação, problemas urinários, disfunção sexual)
  • Psicose
  • Apatia, depressão, ansiedade,alguns transtornos do humor
  • Distúrbios do sono

O Parkison pode ser uni ou bilateral e o paciente também apresenta movimentos finos dos dedos das mãos, que aparenta contar moedas ou enrolar pílulas; tem rigidez muscular, diminuição dos gestos faciais, dificuldade para engolir e tem lentidão ao caminhar.

Nos núcleos da base do encéfalo há uma diminuição do neurotransmissor chamado Dopamina, substância indispensável para o bom funcionamento do cérebro, e que atua no controle dos movimentos, memória e da sensação de prazer.

O diagnóstico é clínico, com o históricodo paciente e também e o exame neurológico, como a ressonância magnética do encéfalo, que irá auxiliar no diagnóstico já que não existe um exame especifico para a doença.

Tratamento

O tratamento é individualizado e usa-se a droga levodopa em todas as fases da doença. Outros tratamentos incluem: antidepressivos e para constipação intestinal. É importante fisioterapia e fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico eapoio familiar.

Quando os pacientes apresentam tremores que não respondem aos medicamentos, ou têm intolerância aos mesmos, o tratamento neurocirúrgico é realizado com o implante de eletrodo cerebral profundo, conectado a um marca-passo. É bom frisar que pacientes que têm demência e depressão grave, não podem implantar o eletrodo. O prognóstico da DP é progressivo e não há prevenção.

O neurocirurgião finalizou dizendo que atualmente existem pesquisas promissoras para a doença e é sempre uma esperança. Estima-se que 1% da população mundial tenha o diagnóstico. Só no Brasil, cerca de 200 mil pessoas sofrem com o problema.