Um erro de português aparentemente simples pode gerar prejuízos milionários à Rede Globo. Em Minas Gerais, o Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação contra a emissora, divulgada na quinta-feira, 19, alegando que a rede cometeu um “desserviço em escala nacional” e causou “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa” devido à pronúncia incorreta repetida de seus apresentadores.
De acordo com o procurador Cléber Eustáquio Neves, responsável pelo processo, a emissora estaria violando o direito da população ao errar sistematicamente a palavra “recorde”.
Trata-se de uma palavra paroxítona, cuja forma correta de pronúncia é “re-COR-de”. Nos programas Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, entretanto, os contratados estariam dizendo “RE-cor-de”, conforme registrado nos autos da ação.
“A Globo exerce um papel semelhante ao do Estado na divulgação de informações. Por isso, empregar corretamente a norma culta da Língua Portuguesa não é uma questão estética, mas um padrão de qualidade e eficiência administrativa”, afirmou o procurador.
Segundo Neves, ao disseminar a pronúncia incorreta em todo o país, a emissora falha em sua função educativa e cultural, prejudicando a padronização linguística essencial à unidade nacional, prevista pelo Acordo Ortográfico de 1990.
Além de solicitar uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, o MPF pede que a Globo seja multada em R$ 50 mil diariamente caso o erro se repita em sua programação.
Até o momento, a emissora não se pronunciou sobre a ação, que foi protocolada antes do Carnaval, nem apresentou defesa à Justiça Federal.
Procurada pela reportagem de IstoÉ Gente para comentar o caso, a Globo também foi acionada, mas, até o momento, não houve retorno.