Edição nº2504 08.12 Ver edições anteriores

Safe pair of hands

O clima de apatia do povo brasileiro em relação ao futuro político do País contrasta com a insistente mobilização de certos setores da mídia e da sociedade, o que dá uma pista sobre o que queremos para 2018: um presidente que passe tranquilidade à sociedade.

No entanto, ao olharmos as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018, o que está sinalizado não nos transmite tranquilidade. O ex-presidente Lula (PT) e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), os líderes do momento, emanam incerteza. Lula é um enigma, pois usa de uma narrativa que remete ao candidato derrotado em 1998, na disputa contra Collor de Mello. Bolsonaro, à parte o discurso sobre segurança pública, não diz coisa com coisa.

Assim, onde está o “safe pair of hands” que o Brasil intimamente parece desejar? Não sei. O que sei é que os líderes de hoje podem não ser os mesmos do ano que vem. Lula está na dianteira, por outro lado lidera também o índice de rejeição. Suas vitórias anteriores decorreram de um discurso que não existe mais.

Bolsonaro é um produto das circunstâncias que, para se consolidar, terá que: a) não cometer erros; b) passar mensagens tranquilizadoras; e c) superar o imenso preconceito que sofre na imprensa. Paradoxalmente, ele só terá chances, na minha opinião, se chegar ao segundo turno disputando a cadeira presidencial com Lula.

Voltando ao tema central de minha reflexão: de quem será o par de mãos confiáveis para liderar o Brasil em 2019? Quatro nomes despontam como pré-candidatos: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP); o prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB-SP); o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD); e o apresentador de tevê Luciano Huck (sem partido). Para a maioria da população, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE), por seu caráter histriônico, não entra na lista dos confiáveis.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (sem partido) é uma incógnita.

Um centro político desunido pode favorecer os candidatos dos extremos, em um fenômeno parecido com o que ocorreu na eleição municipal do Rio de Janeiro. No entanto, como a história se repete como farsa, tudo pode acontecer. O fato é que o cenário eleitoral para 2018 continua nublado.

E a incerteza aumenta por conta de fatores que tornam essas eleições bastante diferentes das anteriores e, em especial, do último páreo presidencial. O que muda? Quase tudo. Não haverá financiamento empresarial nas campanhas. As redes sociais serão muito mais importantes do que antes na divulgação de nomes e ideias. Seremos inundados por “fake news”. Teremos limites de gasto por tipo de candidatura.

Assim, a busca por um “safe pair of hands” está apenas começando. Mas parece ser a busca que a maioria dos eleitores desejará fazer a partir de agora. Principalmente se o ambiente econômico continuar a melhorar.

 


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