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Rússia volta a ser acusada de envenenamento de dois ex-espiões no Reino Unido

Rússia volta a ser acusada de envenenamento de dois ex-espiões no Reino Unido

O agente russo Serguei Fedotov, em imagem distribuída em 21 de setembro de 2021 - Policía Metropolitana/AFP


Um terceiro membro da inteligência russa foi indiciado na Inglaterra pelo envenenamento em 2018 do ex-agente duplo Serguei Skripal, no mesmo dia em que a justiça europeia responsabilizou Moscou pelo assassinato de outro ex-espião, Alexander Litvinenko, no Reino Unido.

As relações entre Londres e Moscou não pararam de se deteriorar desde que em 2006 Litvinenko, um ex-agente da KGB asilado na Inglaterra, foi envenenado com polônio-210, uma substância altamente radioativa.

Antes de morrer, ele acusou o presidente russo, Vladimir Putin.

Dez anos após sua morte, uma investigação britânica concluiu que o Estado russo era o responsável pelo envenenamento – algo que o Kremlin sempre negou – e estabeleceu a culpa de dois executores, os russos Andrei Lugovoi e Dmitri Kovtun.

Os dois tomaram chá com a vítima no Hotel Millennium, no centro de Londres. Mas as tentativas de extraditá-los falharam.

Confirmando esta versão, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) considerou nesta terça-feira que a Rússia é “responsável” por seu assassinato, no que um porta-voz do Kremlin denunciou como acusações “infundadas” que ele se recusou a “reconhecer”.

O tribunal europeu assegurou que, “além de qualquer dúvida razoável”, Lugovoi e Kovtun executaram o assassinato e há “fortes indícios” de que agiram em nome das autoridades russas.

Esse ataque chocou tanto o Reino Unido que o caso até inspirou uma ópera, “A Vida e a Morte de Alexander Litvinenko”, estreada em julho passado.

Doze anos depois, a história se repetiu.

Serguei Skripal, um ex-agente duplo residente em Salisbury, no sudoeste da Inglaterra e refugiado em solo britânico escapando das autoridades de seu país, foi envenenado com sua filha Yulia em 4 de março de 2018 com Novichok, um neurotóxico desenvolvido na União Soviética.

– Uso de arma química em solo britânico –

Pai e filha foram encontrados inconscientes na rua e hospitalizados em estado grave. Eles sobreviveram e agora vivem escondidos sob proteção.

O governo britânico também acusa o Kremlin desse envenenamento e há emitiu mandados de prisão europeus contra dois russos, Alexander Petrov e Ruslan Boshirov – possíveis pseudônimos – apresentados como membros da inteligência militar russa GRU.



Moscou também sempre nega qualquer envolvimento neste caso.

Mas nesta terça-feira, a polícia britânica informou que um terceiro oficial, Serguei Fedotov, também conhecido como Denis Sergueyev, foi acusado de conspiração para assassinar Skripal.

Ele também é acusado da tentativa de homicídio do ex-espião, de sua filha e do policial inglês Nick Bailey – que se contaminou quando foi ao local do crime -, bem como posse e uso de arma química em solo britânico.

É um “novo avanço importante em nossa investigação”, considerou o vice-comissário Dean Haydon, que liderou a investigação da polícia de contraterrorismo.

De acordo com a polícia britânica, Fedotov chegou ao Reino Unido na manhã de 2 de março de 2018 em um voo Moscou-Londres, quatro horas antes de Petrov e Boshirov.

Os investigadores acreditam que os três homens se encontraram várias vezes em Londres no fim de semana, antes de Fedotov deixar o Reino Unido em 4 de março de 2018 em um voo para Moscou do Aeroporto Heathrow de Londres.

Embora Skripal e sua filha tenham sobrevivido, o ataque deixou uma vítima colateral: Dawn Sturgess, de 44 anos, morreu após borrifar-se com o que ela acreditava ser um perfume, mas na verdade era Novichok, contido em um frasco que seu marido coletou de um balde de lixo.

Esse segundo envenenamento causou uma série de expulsões recíprocas de diplomatas e um conflito sem precedentes desde o fim da Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente, que poderia ser reatado após as novas acusações.

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