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Rússia vai interromper fornecimento de gás à Finlândia

BRUXELAS, 20 MAI (ANSA) – A Rússia vai interromper o fornecimento de gás natural para a Finlândia, que nesta semana confirmou sua candidatura a membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).   

Por meio de um comunicado, a estatal finlandesa de energia Gasum disse ter sido informada pela russa Gazprom de que o abastecimento será bloqueado às 7h (horário local) deste sábado (21), mas garantiu que os consumidores não serão afetados.   


“Nós nos preparamos com cuidado para essa situação e, desde que não haja interrupções na rede de transmissão de gás, seremos capazes de fornecer gás a todos os nossos clientes nos próximos meses”, afirmou o CEO da Gasum, Mika Wiljanen, definindo a decisão da Rússia como “lamentável”.   

No último dia 17 de maio, a empresa finlandesa já havia confirmado que não pagaria pelo gás natural vendido pela Gazprom em rublos, como exige o regime do presidente da Rússia, Vladimir Putin, em retaliação pelas sanções econômicas impostas pela União Europeia.   

“A Gasum não aceita o pedido da Gazprom Export para mudar os pagamentos para rublos”, disse a estatal na ocasião. Com isso, a Finlândia se torna o terceiro país da UE para o qual Moscou interrompe o fornecimento de gás natural, juntando se a Bulgária e Polônia.   

O bloqueio contra a nação escandinava, no entanto, foi anunciado após seu pedido de adesão à Otan, aliança militar ocidental acusada por Putin de ter a Rússia como inimiga.   

Assim como a Suécia, a Finlândia mantinha uma histórica política de neutralidade militar entre o Ocidente e Moscou, porém os dois países abandonaram essa estratégia depois da invasão russa à Ucrânia, que não faz parte da aliança euro-atlântica.   

A expectativa é de que o processo de adesão dure menos de um ano, mas Helsinque e Estocolmo ainda encontram a resistência da Turquia, em um cenário onde precisam de aprovação unânime dos Estados-membros para entrar na organização.   

Por sua vez, o presidente Putin disse que não considera a adesão dos dois países escandinavos à Otan como uma “ameaça”, porém alertou que a resposta de Moscou dependerá da presença militar da aliança em seus territórios. (ANSA).