A agência de vigilância sanitária da Rússia negou nesta quinta-feira (8) a existência de um segundo caso suspeito de peste pneumônica na região de Irkutsk, na Sibéria. A manifestação ocorreu após a circulação de informações nas redes sociais sobre uma possível nova contaminação relacionada à morte de uma pesquisadora de um instituto especializado no estudo da doença.
Em comunicado, a Rospotrebnadzor classificou como falsas as informações de que uma pessoa que teve contato com a funcionária do laboratório também teria desenvolvido a enfermidade.
Apesar das negativas, o episódio provocou questionamentos internacionais. A União Europeia, os Estados Unidos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitaram esclarecimentos às autoridades russas.
Morte de pesquisadora levantou suspeitas
Na semana passada, veículos independentes da imprensa russa divulgaram que uma pesquisadora do instituto antipeste de Irkutsk teria morrido após uma possível exposição à bactéria causadora da doença.
Segundo esses relatos, a contaminação teria ocorrido durante um acidente envolvendo a quebra de um tubo de ensaio no laboratório.
A agência sanitária russa, entretanto, rejeitou essa versão e afirmou que a funcionária morreu em decorrência de pneumonia, sem relação identificada com agentes infecciosos perigosos.
A Rospotrebnadzor informou ainda que aproximadamente 5 mil exames laboratoriais foram realizados durante a investigação, sem a identificação de microrganismos patogênicos considerados perigosos.
De acordo com o órgão, todas as pessoas que tiveram contato com a pesquisadora já concluíram o período de acompanhamento médico.
União Europeia cobra transparência da Rússia
Mesmo após as explicações apresentadas por Moscou, autoridades internacionais continuam solicitando informações mais detalhadas sobre o episódio.
A Comissão Europeia defendeu que o governo russo compartilhe rapidamente os dados disponíveis sobre as suspeitas de peste pneumônica.
Um porta-voz do órgão afirmou que a OMS também busca esclarecimentos e ressaltou a necessidade de maior transparência sobre os acontecimentos no laboratório.
A preocupação internacional está relacionada ao potencial de transmissão da doença e à importância de identificar rapidamente eventuais casos para impedir sua disseminação.
Até o momento, as informações divulgadas pelas autoridades russas não confirmam a ocorrência de peste pneumônica entre os envolvidos.
O que é a peste pneumônica?
A peste pneumônica é uma infecção grave provocada pela bactéria Yersinia pestis, também responsável pela peste bubônica.
Embora sejam causadas pelo mesmo microrganismo, as duas formas da doença apresentam características diferentes.
A peste bubônica afeta principalmente os gânglios linfáticos e costuma ser transmitida aos seres humanos pela picada de pulgas infectadas.
Já a peste pneumônica compromete os pulmões e pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias, especialmente durante contato próximo com pacientes infectados.
Por essa característica, é considerada uma das manifestações mais perigosas da peste, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos.
Diagnóstico precoce aumenta chances de recuperação
Apesar da gravidade, a peste pneumônica pode ser tratada com antibióticos. As chances de recuperação aumentam significativamente quando a doença é identificada e tratada nas fases iniciais.
A peste bubônica ficou historicamente conhecida como peste negra, responsável por uma das epidemias mais devastadoras da Europa durante a Idade Média.
No caso investigado na Sibéria, as autoridades russas sustentam que não foram encontrados indícios laboratoriais da bactéria.
Organismos internacionais, por sua vez, continuam buscando informações que permitam esclarecer as circunstâncias da morte da pesquisadora e descartar eventuais riscos sanitários.
Da IstoÉ e Ansa