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Rússia multiplica prisões de opositores antes de manifestações

Rússia multiplica prisões de opositores antes de manifestações

Mulher assiste a vídeo do líder opositor Alexei Navalny acusando o presidente Putin de corrupção, em Moscou, em 21 de janeiro de 2021 - AFP

As autoridades russas prenderam, nesta sexta-feira (22), novos apoiadores do opositor Alexei Navalny, enquanto outros devem comparecer ao tribunal na véspera de um dia de protestos planejados em todo o país.

A equipe de Navalny, que está em detenção até pelo menos 15 de fevereiro e é alvo de vários processos judiciais, convocou protestos para o sábado (23) em 65 cidades russas para exigir a libertação do principal inimigo do Kremlin, reuniões “ilegais” de acordo com as autoridades.

Depois de prender vários colaboradores de Navalny na quinta-feira, a polícia deu continuidade às detenções nesta sexta com a coordenadora da sede do opositor em Vladivostok, no Extremo Oriente, Ekaterina Vedernikova, e uma colaboradora da sede de Novosibirsk, na Sibéria, Elena Noskovets.

A equipe do opositor também informou a prisão da coordenadora de Tyumen, nos Urais, de outra colaboradora do enclave de Kaliningrado e de Serguei Boïko, cuja coalizão em Novosibirsk, na Sibéria, desafiou o partido do Kremlin nas eleições regionais de setembro.

Preso na quinta, uma figura em ascensão do movimento, Liubov Sobol, e a porta-voz de Navalny, Kira Iarmych, devem comparecer perante os juízes nesta sexta por terem convocado manifestações qualificadas como ilegais.


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A advogada de Iarmych, Veronika Poliakova, disse à AFP que sua cliente enfrenta 10 dias de detenção. Liubov Sobol, por sua vez, pode pegar 30 dias de prisão, mas pode sofrer, como em prisões anteriores, apenas uma multa por ter um filho pequeno.

Entre os outros apoiadores de Navalny na mira da polícia, estão Georgui Albourov, que participa das investigações anticorrupção do opositor, e Vladlen Los, advogado de sua organização, de nacionalidade bielorrussa, declarado persona non grata na Rússia.

A chefe da equipe de Navalny em Krasnodar, no sul da Rússia, Anastassia Pantchenko, também foi presa na quinta-feira.

– Advertências e apoios –

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Diante da mobilização marcada para sábado, o Kremlin, o Ministério Público e o Ministério do Interior advertiram contra a participação nos protestos, sugerindo uma possível dispersão brutal dos manifestantes.

O gendarme de telecomunicações russo, Roskomnadzor, ameaçou as redes sociais com multas se não retirassem as chamadas para protestar e, em particular, alertou as plataformas Tik Tok e Vkontakte, o equivalente russo do Facebook.

A imprensa também noticiou advertências de universidades e escolas para desencorajar os alunos de protestar ou encorajar os pais a “protegerem seus filhos”.

Nos últimos dias, milhares de vídeos e mensagens de apoio ao opositor têm circulado no Tik Tok, uma plataforma particularmente popular entre os adolescentes, incluindo chamadas para manifestações, conselhos para não ser preso pela polícia ou usuários se filmando substituindo o retrato de Vladimir Putin pelo de Alexei Navalny na sala de aula.

A chefe do canal de televisão estatal russo RT, Margarita Simonyan, acusou “Tik Tok, de propriedade chinesa, de tentar orquestrar uma guerra entre crianças na Rússia”. Ela estimou que a empresa tinha meios de censurar esse conteúdo “em dois minutos”.

Navalny também recebeu o apoio de atores, músicos e atletas, incluindo personalidades geralmente afastadas da política, como o ex-capitão da seleção de futebol russa, Igor Denisov, ou do astro da música Monetotchka, muito popular entre os jovens.

Após sua prisão no domingo, Alexei Navalny contra-atacou na terça-feira publicando uma investigação sobre a enorme e suntuosa propriedade do presidente Vladimir Putin nas margens do Mar Negro, e cuja construção teria custado mais de um bilhão de dólares.

Esta manhã, a longa investigação acompanhada por um vídeo de quase duas horas já havia sido vista mais de 53 milhões de vezes no YouTube, um recorde para uma investigação de Navalny.

O opositor foi preso no dia 17 de janeiro, ao retornar de cinco meses de convalescença na Alemanha após suspeita de envenenamento, do qual acusou o Kremlin. Moscou rejeita essas acusações.

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