Mundo

Rússia intensifica ataques no leste da Ucrânia, que aguarda primeira sentença por crimes de guerra

Rússia intensifica ataques no leste da Ucrânia, que aguarda primeira sentença por crimes de guerra

Ponte destruída entre Lysychansk e Severodonetsk, leste da Ucrânia, em 22 de maio de 2022 - AFP

A situação é cada vez mais difícil para os ucranianos na região do Donbass, onde Moscou bombardeia a cidade de Severodonetsk sem trégua, enquanto o país aguarda o veredicto do primeiro processo na Ucrânia por crimes de guerra contra um soldado russo.

A Rússia concentra as tropas no leste da Ucrânia, no Donbass, afirmou o governador da região de Lugansk, Sergei Gaidai.


“Todas as forças russas estão concentradas nas regiões de Lugansk e Donetsk”, afirmou Gaidai.

Moscou desloca unidades retiradas da região de Kharkiv (norte), soldados que participaram no cerco de Mariupol (sudeste), milícias das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, tropas chechenas e unidades mobilizadas na Sibéria e no extremo oriente russo, informou o governador.

O mesmo acontece com os armamentos. “Tudo está concentrado aqui”, disse Gaidai, que citou inclusive os sistemas antiaéreos e antimísseis S-300 e S-400, similares aos Patriot americanos.

Severodonetsk, ponto crucial na batalha pelo Donbass, é alvo de ataques de Moscou “as 24 horas do dia”, denunciou Gaidai.

“Utilizam a tática de terra arrasada, com a destruição deliberada da cidade, com bombardeios aéreos, lança-foguetes múltiplos, morteiros ou tanques que disparam contra os edifícios”, disse.

O exército ucraniano anunciou no domingo que sete civis morreram e oito ficaram feridos nos bombardeios contra 45 comunidades da região de Donetsk.

O destino de Severodonetsk se parece ao de Mariupol, com um cenário apocalíptico após várias semanas de cerco. Os bairros da cidade viraram pilhas de escombros, com edifícios destruídos por mísseis e outras armas.

– Veredicto –

Kiev aguarda para esta segunda-feira o primeiro julgamento de um soldado russo por crimes de guerra.

O soldado Vadim Shishimarin, 21 anos, é acusado pelo assassinato de um civil de 62 anos quando este empurrava uma bicicleta e falava no telefone.

Em uma audiência na semana passada, Shishimarin pediu “perdão” à viúva da vítima e disse que atuou com base em “ordens recebidas”. A promotoria pediu pena de prisão perpétua.

O Ministério Público afirmou que o país abriu mais de 12.000 investigações por crimes de guerra desde 24 de fevereiro, data do início da invasão russa.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta segunda-feira em Tóquio que a Rússia “tem que pagar um preço a longo prazo por sua barbárie na Ucrânia”, em uma referência às sanções impostas a Moscou por vários países.

“Não se trata apenas da Ucrânia”, declarou Biden. “Se as sanções não forem mantidas em muitos aspectos, que sinal enviaríamos à China sobre o custo de uma tentativa de tomar Taiwan pela força?”, perguntou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, deve discursar por videoconferência ao Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, com o objetivo de pedir mais ajuda financeira e militar.

Várias autoridades ucranianas devem comparecer à estação suíça, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, e o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.

A Rússia foi excluída do WEF e a “casa russa”, tradicionalmente aberta para o fórum, será substituída por uma “casa dos crimes de guerras russos”, com eventos de apoio à Ucrânia.

Com o cenário de tensão, a Rússia afirma que está aberta a retornar à mesa de negociações e culpa a Ucrânia pela interrupção nas discussões de paz.

“Da nossa parte, estamos preparados para continuar o diálogo”, afirmou no domingo Vladimir Medinski, conselheiro do Kremlin nas negociações com Kiev.

“O congelamento do diálogo foi iniciativa da Ucrânia”, acrescentou.