A Rússia de Vladimir Putin é, por enquanto, o único “vencedor” da guerra no Oriente Médio, devido, entre outros fatores, à forte alta dos preços do petróleo, declarou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, nesta terça-feira (10).
“Até agora, só há um vencedor nesta guerra: a Rússia”, disse ele aos embaixadores da UE reunidos em Bruxelas.
O Conselho Europeu representa os chefes de Estado e de Governo da União Europeia.
Com o aumento dos preços dos hidrocarbonetos, Moscou “está obtendo novos recursos para financiar sua guerra contra a Ucrânia”, alertou ele, que instou a manter a pressão sobre a Rússia, mais de quatro anos após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Os preços dos hidrocarbonetos dispararam desde o início da campanha maciça de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que também afetou os países exportadores de petróleo do Golfo. Na segunda-feira, o petróleo ultrapassou os 100 dólares por barril.
Em um esforço para aliviar as tensões no mercado de hidrocarbonetos, o governo dos EUA autorizou, na quinta-feira, o envio de petróleo russo sancionado para a Índia por um mês.
Moscou também se beneficia da forte demanda por equipamentos militares no Oriente Médio, que “poderiam ter sido enviados para a Ucrânia”, lamentou Costa.
A Ucrânia precisa urgentemente de sistemas de defesa aérea para combater os ataques russos, que destroem diariamente sua infraestrutura energética e cidades, mas os ataques iranianos contra Israel e os países do Golfo criaram uma necessidade crítica desse mesmo equipamento.
Desde o início da guerra, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, propôs que os aliados dos EUA no Oriente Médio trocassem seus mísseis Patriot americanos por interceptores de drones ucranianos para se protegerem de ataques de drones iranianos.
Desde então, Kiev declarou que 11 países, incluindo os Estados Unidos, solicitaram sua ajuda contra drones iranianos, algo que a Ucrânia conhece bem, pois as forças armadas russas também os utilizam.
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