Rússia ataca Ucrânia com míssil hipersônico e mata ao menos 4

MOSCOU, 9 JAN (ANSA) – A Rússia atacou a Ucrânia na madrugada desta sexta-feira (9) com um míssil hipersônico em resposta à suposta tentativa de bombardeio contra a residência do presidente Vladimir Putin, a qual Kiev diz ser uma “mentira” de Moscou. Ao menos quatro pessoas morreram e 19 ficaram feridas na capital ucraniana em meio aos atentados.   

De acordo com um comunicado emitido pelo Ministério da Defesa russo, suas forças atacaram “objetivos estratégicos” no país vizinho utilizando o míssil hipersônico Oreshnik.   

A ofensiva é “uma resposta ao ataque terrorista perpetrado pelo regime de Kiev” contra a residência de Putin no final de dezembro, informou a nota.   

O bombardeio massivo matou pelo menos quatro pessoas e feriu outras 19 na capital da nação governada por Volodymyr Zelensky, tendo ainda danificado 20 edifícios e deixando a população sem os serviços de água e energia elétrica.   

Em meio às baixas temperaturas do inverno europeu, o prefeito de Kiev, Vitaliy Klitschko, pediu aos moradores de Kiev que deixem a capital momentaneamente “para ir a locais onde existam fontes alternativas de eletricidade e aquecimento”. A previsão do tempo para esta sexta na cidade tem máxima de -6°C e mínima de -11°C.   

Já em Lviv, na fronteira com a Polônia, a Aeronáutica ucraniana afirmou que interceptou alguns mísseis balísticos que viajavam a uma “velocidade hipersônica”.   

“É um absurdo que a Rússia queira justificar esta ofensiva com um falso ataque à residência de Putin”, escreveu no X o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acrescentando que “é mais uma prova que Moscou não precisa de verdadeiros motivos para o seu terror e sua guerra”.   

Sybiha comunicou que o governo ucraniano irá dar “continuidade a uma ação internacional”, com “reuniões urgentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do Conselho Ucrânia-Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte], além de respostas da União Europeia, do Conselho Europeu e da Osce [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa]”.   

A alta representante da UE para Assuntos Externos, Kaja Kallas, também criticou o bombardeio russo.   

“Putin não quer a paz. A resposta da Rússia à diplomacia é mais mísseis e destruição. Esse padrão letal de repetidos ataques russos em larga escala continuará até que ajudemos a Ucrânia a quebrá-lo. O suposto uso de um míssil Oreshnik por Moscou é uma clara escalada contra a Ucrânia e tem como objetivo servir de aviso à Europa e aos Estados Unidos”, escreveu Kallas nas redes sociais.   

“Os países da UE devem recorrer mais aos seus arsenais de defesa aérea e fornecer imediatamente a ajuda necessária, bem como impor sanções mais rigorosas”, destacou a alta representante da UE.   

Na noite de 28 para 29 de dezembro, ou seja, poucas horas após o encontro de Zelensky com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida, para discutir os 20 pontos da proposta de cessar-fogo, Moscou acusou a Ucrânia de tentar bombardear a residência oficial de Putin em Novgorod com “91 drones”.   

Na ocasião, Zelensky declarou que “essa suposta história sobre o ataque à residência é uma completa invenção, destinada a justificar novos ataques contra a Ucrânia, incluindo Kiev”.   

(ANSA).