Rússia anuncia reunião sobre ‘segurança’ com EUA e Ucrânia

Putin e o enviado da Casa Branca Steve Witkoff tiveram reunião em Moscou

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Putin e Steve Witkoff Foto: Kremlin.ru/Handout via REUTERS

A Rússia manterá nesta sexta-feira (23) uma reunião “trilateral” sobre “segurança” com representantes ucranianos e americanos nos Emirados Árabes Unidos, informou o Kremlin após uma “útil” reunião em Moscou entre o presidente Vladimir Putin e o enviado da Casa Branca Steve Witkoff.

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O enviado especial do presidente Donald Trump se reuniu na noite desta quinta, na capital russa, com Putin para discutir o plano apresentado por Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia. Os esforços diplomáticos para acabar com o conflito mais violento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial se aceleraram nos últimos meses, embora Moscou e Kiev sigam em desacordo sobre a questão-chave do território.

“Acordou-se que hoje mesmo [sexta-feira] será realizada em Abu Dhabi a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral encarregado de questões de segurança”, disse aos jornalistas o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, ao destacar que a reunião entre Putin e Witkoff na quinta-feira foi “útil em todos os sentidos”.

As conversas em Moscou terminaram depois de mais de três horas, informou o Kremlin, minutos antes, em comunicado. Um vídeo publicado pela Presidência russa mostra um Putin sorridente apertando a mão de Witkoff, que esteve acompanhado por Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, e o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.

A reunião aconteceu após um breve encontro no Fórum de Davos, na Suíça, entre Trump e o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, que assegurou que havia se chegado a um acordo sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos oferecerão a seu país em um eventual pós-guerra.

Witkoff já havia se reunido com o líder russo diversas vezes ao longo do último ano. Antes de partir de Davos para Moscou, o enviado americano destacou os “progressos significativos” alcançados em seu encontro no último fim de semana, em Miami, com negociadores ucranianos. “Acho que reduzimos o problema a um único ponto”, declarou.

Após a reunião com Trump em Davos, Zelensky também alertou que a questão dos territórios do leste da Ucrânia continuava sem solução. A Rússia, que ocupa 20% do território ucraniano, reivindica o controle total da região oriental do Donbass, parcialmente sob seu domínio.

Zelensky reconheceu que o apoio de Trump é “indispensável”, sobretudo porque a Europa, “em vez de se tornar uma verdadeira potência global, continua sendo um belo, porém fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências”. Enquanto isso, quando jornalistas perguntaram a Trump que mensagem queria transmitir ao seu par russo, ele respondeu: “A guerra deve acabar.”