A obstinação de Donald Trump em comprar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, transformou-se em um dos episódios mais emblemáticos do desgaste da ordem internacional, construída no pós-guerra. A insistência do presidente dos Estados Unidos em tratar a maior ilha do mundo como ativo estratégico negociável — acompanhada de ameaças comerciais a países aliados — evidencia uma mudança de método na política externa americana e alimenta discussões sobre os limites do poder das grandes potências.
A ofensiva trumpista provocou reação da União Europeia e de líderes de outros países. Reunidos em Davos, para o Fórum Econômico Mundial, chefes de Estado trataram o tema como efeito de um processo mais amplo: o enfraquecimento das regras multilaterais, o uso de tarifas como instrumento de coerção política e a crescente fragilização das alianças tradicionais do Ocidente. Discursos como o do premiê canadense Mark Carney reforçam a leitura de que o mundo vive uma quebra da ordem vigente — e não apenas uma fase de transição.
Manifestações tomaram as ruas de Copenhague e de Nuuk, capital da Groenlândia, com mensagens como “Make America Go Home” (Faça a América ir embora), alusão ao movimento MAGA (“Make America Great Again”), de Trump. Apesar da sinalização de acordo entre as partes, a crise em torno da Groenlândia demonstra que está em curso um debate sobre uma nova ordem mundial.
Acesse esta e as edições anteriores de IstoÉ (em PDF) em revista.istoe.com.br.