O governo cubano acusou o secretário de Estado americano Marco Rubio de “mentir”, depois que ele afirmou nesta terça-feira (5) que Washington não impôs um bloqueio petrolífero a Cuba e atribuiu a crise energética atual na ilha à má gestão interna.
O chanceler cubano Bruno Rodríguez escreveu na rede social X que Rubio “optou simplesmente por mentir” e “contradiz o Presidente [Trump] e a porta-voz [Karoline Leavitt] da Casa Branca”, ao negar o impacto do “cerco petrolífero criminoso que ele mesmo propôs”.
“Em quatro meses, apenas um barco com combustível chegou a Cuba. Intimida e ameaça todos os nossos fornecedores em violação das regras do livre-comércio e da liberdade de navegação”, acrescentou.
Rodríguez também denunciou as novas sanções anunciadas por Donald Trump em 1º de maio, que afetam o setor energético. “O Secretário sabe muito bem o dano e o sofrimento que causa hoje ao povo cubano”, acrescentou.
Horas antes, e às vésperas de uma viagem ao Vaticano para abordar temas sobre a América Latina com o papa Leão XIV, Rubio declarou que “não há um bloqueio petrolífero sobre Cuba em si”.
“Cuba estava acostumada a receber petróleo grátis da Venezuela. E pegavam 60% desse petróleo e o revendiam em troca de divisas”, afirmou o chefe da diplomacia americana.
“O único bloqueio que aconteceu é que os venezuelanos decidiram […] que não vão mais dar petróleo de graça, e menos ainda a um regime fracassado”, comentou Rubio.
Donald Trump promulgou no final de janeiro um decreto presidencial que estabelece que a ilha comunista, situada a 150 km da costa de Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, e ameaçou com represálias qualquer país que queira fornecer petróleo a Havana.
Até agora, Washington apenas permitiu a chegada, no final de março, de um navio-petroleiro russo. Segundo Trump, foi um abastecimento pontual. “Seu modelo econômico não funciona, e as pessoas que estão no comando não conseguem resolvê-lo”, disse Rubio.
O fim do fornecimento de petróleo venezuelano, após a deposição forçada do presidente Nicolás Maduro pelo exército americano, agravou a crise na ilha, marcada por apagões prolongados.
Cuba acusa Washington de manter uma política de assédio desde pouco depois da Revolução de 1959.
De origem cubana, Rubio mantém um interesse pessoal na política em relação à ilha desde quando era senador. Trump sugeriu, inclusive, que o secretário de Estado poderia assumir as rédeas da ilha.
“A única coisa pior que um comunista é um comunista incompetente”, declarou.
Sobre sua visita ao Vaticano, o secretário de Estado assinalou: “gostaríamos muito de falar sobre o tema de Cuba.”
“Enviamos a Cuba seis milhões de dólares em ajuda humanitária, mas, obviamente, não nos deixam distribuí-la, então a distribuímos por meio da Igreja”, indicou.
“Gostaríamos de fazer mais, mas o regime precisa autorizar”, explicou.
Tanto Washington quanto Havana reconheceram que mantêm contatos políticos, mas divergem sobre o alcance dessas negociações.