WASHINGTON, 7 JAN (ANSA) – O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira (7) que se reunirá com autoridades da Dinamarca na próxima semana para discutir as tensões em torno da Groenlândia, reabertas pelo republicano Donald Trump.
Washington voltou a fazer ameaças de se apropriar da Groenlândia, o que gerou preocupações após não ter sido descartada a possibilidade de uma ação militar na ilha. Rubio e a Casa Branca, no entanto, garantiram que uma ofensiva no território não está em discussão.
“A primeira opção de Trump em relação à Groenlândia é sempre a diplomacia, e é por isso que ele está discutindo ativamente a compra”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
O mesmo discurso foi defendido pelo republicano e presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, aliado próximo de Trump. O político afirmou não acreditar que alguém dentro do governo esteja considerando o uso da força militar em Nuuk.
O diplomata português António Costa, presidente do Conselho Europeu, declarou que a Groenlândia “pertence ao seu povo” e que nada pode ser decidido no território sem a participação da Dinamarca e das autoridades da ilha.
“A Europa continuará sendo uma defensora firme e inabalável do direito internacional e do multilateralismo. Nós, europeus, aprendemos com a nossa história que o unilateralismo é um atalho para o conflito, a violência e a instabilidade”, disse Costa.
O jornal The New York Times recordou que os Estados Unidos desfrutam de amplo acesso militar à Groenlândia devido a um acordo pouco conhecido que remonta à Guerra Fria. Atualmente, o país mantém apenas uma base em uma área muito remota da ilha, mas o pacto permite que a nação “construa, instale, mantenha e opere” bases em toda a região, além de “hospedar pessoal” e “controlar pousos, decolagens, ancoragens, amarrações, movimentações e operações de navios, aeronaves e embarcações”.
“Os EUA têm tanta liberdade na Groenlândia que podem basicamente fazer o que quiserem. Tenho dificuldade em imaginar que eles não consigam praticamente tudo o que desejam se simplesmente pedirem com educação”, avaliou Mikkel Runge Olesen, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, em Copenhague. (ANSA).