Roubar é crime. Deixar roubar, também. Chama-se prevaricação

Crédito: Nic Taylor

PIVÔ O deputado Luis Miranda, principal acusador, registrou o encontro com o presidente em 20 de março, quando denunciou o esquema (Crédito: Nic Taylor)

Desde o encontro entre Luis Miranda e Bolsonaro, o amigão do Queiroz, em que, segundo o deputado, o ‘mito’ fora avisado sobre os supostos rolos Ricardo Barros com a compra da vacina Covaxin, o líder do governo na Câmara dos Deputados (meu xará citado acima) se encontrou com o pai do senador das rachadinhas e da mansão de seis milhões de reais, pelo menos dez vezes. Assim, tiveram tempo de sobra para falar sobre as suspeitas e os rumores de corrupção envolvendo o próprio Barros e servidores do Ministério da Saúde.

Como sabemos, Jair Bolsonaro, o devoto da cloroquina, nada fez. E se fez, foi permitir que a treta seguisse adiante, até o caso ‘estourar’, há alguns dias. Agora, ficamos sabendo que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, general-fantoche do presidente, pediu a cabeça de Roberto Ferreira Dias – servidor acusado de pedir propina de 1 dólar (por dose de vacina) a um representante da AstraZeneca – da Diretoria de Logística do Ministério da Saúde, em outubro do ano passado, tão logo surgiram rumores sobre corrupção na compra de imunizantes.


De acordo com reportagem da CBN, confirmada pela Folha de São Paulo, foi o próprio Jair Bolsonaro, o maníaco do tratamento precoce, quem, por pressão política, impediu a exoneração do suspeito, que foi efetivada apenas nessa última terça-feira (29/6). Segundo a imprensa, Davi Alcolumbre intercedeu pelo servidor e Bolsonaro, em tese, prevaricador, aquiesceu. O ato de exoneração a pedido de Pazuello, inclusive, chegou a ser enviado ao Palácio do Planalto.

Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento, sempre se vangloriou – como se fosse qualidade, e não obrigação – de nunca ter metido a mão na cumbuca da roubalheira lulopetista. Dilminha fingia não ver e ouvir, e deixava o pau quebrar. Tipo: não roubou, mas deixou roubar.

Não sei se Bolsonaro é da mesma espécie. Acho que não. Acho que é do tipo que ‘rouba e deixa roubar’, como o meliante de São Bernardo, Lula da Silva. Que fique claro: apenas acho! É minha visão, minha percepção. Olho para ele, penso em funcionários fantasmas, rachadinhas, Queiroz e tiro minhas próprias conclusões.

Não estou fazendo nenhuma acusação, até porque, não há qualquer mínimo indício que ligue o presidente a roubo neste momento. Mas que – ao menos é o que tudo indica – prevaricou, isso fica cada vez mais claro. E prevaricação, senhoras e senhores, também é crime.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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