O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), foi oficialmente confirmado nesta segunda-feira (27) como candidato do Partido Novo à Presidência da República nas eleições de outubro. A oficialização ocorreu em um evento em Brasília, após convenção nacional da legenda realizada de forma virtual, marcando a entrada formal do Novo na corrida eleitoral de 2026 e reiterando que o partido tenta consolidar a candidatura de Zema, enquanto mantém pontes com outras legendas.
O que aconteceu
- Romeu Zema é oficializado como candidato à Presidência pelo Partido Novo.
- O ex-governador intensificou as críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Zema propõe reformas no Supremo Tribunal Federal (STF) e defende pautas como combate ao crime organizado e privatizações.
Críticas ao governo e ao PT
Durante seu discurso, Zema agradeceu o apoio dos filiados e afirmou reunir as credenciais necessárias para disputar o Palácio do Planalto. O presidenciável intensificou as críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e PT. No passado foi mensalão, petrolão, mala de dinheiro, Lava Jato e agora estamos com Banco Master, desconto dos velhinhos e um governo que não tem plano de futuro e só pensa em eleição”, declarou.
Em outro momento, o ex-governador voltou a atacar o Partido dos Trabalhadores e afirmou que “tudo o que dá certo neste país parece que o PT não gosta. A minha bandeira é estar contra o PT”. Em seu primeiro pronunciamento como candidato oficial do Novo, Zema afirmou pretender oferecer uma alternativa à polarização política e disse que o eleitor brasileiro está “cansado da polarização”.
Segundo ele, Minas Gerais viveu cenário semelhante antes de sua eleição ao governo estadual.
Propostas para o país
O candidato também declarou que pretende trabalhar para que o Brasil “retome a soberania que estamos perdendo”, citando como exemplo a recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. “Eu me considero com todas as credenciais. Modéstia à parte, até mais do que os meus concorrentes”, afirmou Zema.
O partido ainda não anunciou quem será o candidato a vice-presidente na chapa, embora haja discussões internas sobre possíveis nomes. Recentemente, ala do Novo expressou desejo de aproximação entre Zema e Flávio Bolsonaro, defendendo um vice em uma chapa presidencial unificada.
Zema e o judiciário
Ao longo do discurso, Zema apresentou propostas para um eventual governo, voltadas principalmente ao combate ao crime organizado, redução de privilégios no setor público, ampliação das privatizações e mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), como a criação de lista tríplice para indicação de ministros e o fim de decisões monocráticas em temas analisados pelo Congresso. Ele já havia se posicionado anteriormente, por exemplo, quando defendeu a prisão de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Além disso, voltou a fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal e defendeu mudanças na forma de escolha e atuação dos ministros da Corte. Segundo ele, o setor público “carece de bons exemplos” e o país precisa rever o funcionamento do Judiciário.
O candidato à Presidência afirmou ainda que responde a um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes e disse ser favorável à criação de novas regras para nomeação de ministros do STF, incluindo idade mínima e a adoção de listas tríplices.
Nos últimos meses, o ex-governador tem elevado o tom contra integrantes do Supremo, especialmente após associar ministros da Corte ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Qual o histórico de Romeu Zema?
Zema governou Minas Gerais entre janeiro de 2019 e março de 2026, quando renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. Nascido em Araxá (MG), o empresário tem 61 anos e é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ao longo de sua trajetória política, Zema manteve aproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem declarou apoio no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.