Zema oficializa candidatura ao Planalto nesta segunda e deixa vice para agosto

Convenção nacional do Novo marca entrada definitiva do ex-governador de Minas Gerais na corrida ao Planalto; partido mantém negociações para composição da chapa até o prazo final do TSE

Romeu Zema: governador de Minas é pré-candidato a presidente e terá apoio do atual vice, Mateus Simões, no pleito
Romeu Zema (Novo) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) oficializa nesta segunda-feira (27) sua candidatura à Presidência da República. O anúncio ocorre durante a convenção nacional do partido, realizada em formato híbrido no Auditório do Edifício Íon, em Brasília, e marca a entrada definitiva do Novo na disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições de outubro.

O que aconteceu

  • Romeu Zema (Novo) oficializa sua candidatura à Presidência da República em Brasília.
  • A escolha do candidato a vice-presidente permanece em aberto, com negociações em andamento por alianças políticas.
  • Sua campanha se baseará em propostas de segurança pública, privatizações e críticas à política externa atual.

Embora confirme o nome de Zema como candidato, a convenção não encerrará todas as definições da chapa presidencial. O Partido Novo decidiu manter em aberto a escolha do candidato a vice-presidente enquanto prosseguem as negociações por alianças. O objetivo é ampliar o tempo de propaganda eleitoral e fortalecer a campanha.

O prazo final para o registro definitivo das chapas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 5 de agosto.

Segundo Zema, as conversas continuam e ainda há espaço para uma composição com outras legendas. Caso as negociações não avancem, o Novo poderá registrar uma chapa formada exclusivamente por integrantes da própria sigla.

Vice-presidência: Joaquim Barbosa é o principal alvo?

Nos bastidores políticos, o principal desejo de Romeu Zema é convencer o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) a integrar a chapa como candidato a vice-presidente.

O ex-governador revelou, durante evento partidário realizado no Rio Grande do Sul, que pretende viajar ao Rio de Janeiro nos próximos dias para tentar selar pessoalmente um acordo com Barbosa.

Outros nomes foram analisados pelo Novo ao longo das últimas semanas. O empresário Geraldo Rufino (Podemos), considerado inicialmente o favorito de Zema para a vaga, deve disputar uma cadeira no Senado por São Paulo. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também foi cogitada, mas recusou publicamente qualquer possibilidade de integrar a chapa.

Plataforma de governo: Quais as prioridades de Zema?

A campanha presidencial de Romeu Zema será construída sobre uma plataforma de endurecimento da segurança pública, redução da participação do Estado na economia e críticas à política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na área da segurança, o candidato promete classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e adotar uma política inspirada nas ações implementadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Entre as propostas apresentadas está a construção de um presídio de segurança máxima em uma área isolada da Amazônia para abrigar integrantes das principais organizações criminosas do país.

Privatização e economia

Na economia, Zema pretende transformar a privatização de empresas estatais em uma das principais bandeiras da campanha.

O ex-governador defende o desmembramento da Petrobras, com a venda de diferentes áreas da companhia. Ele argumenta que a medida aumentaria a concorrência no setor de combustíveis e reduziria a participação do Estado na economia.

A proposta amplia uma das principais marcas de sua gestão em Minas Gerais, onde adotou uma agenda voltada ao enxugamento da máquina pública e ao incentivo à iniciativa privada.

Críticas à política externa e reforma federativa

Outro eixo da campanha será direcionado à política internacional conduzida pelo presidente Lula (PT).

Zema afirma que o Brasil perdeu espaço na relação com os Estados Unidos e passou a depender excessivamente da China ao estreitar relações com países como Venezuela e Irã.

Na avaliação do candidato, essa estratégia teria contribuído para o aumento das tensões comerciais com o governo norte-americano e reduzido a competitividade brasileira em mercados internacionais.

O ex-governador também pretende defender mudanças no pacto federativo, utilizando como exemplo a situação financeira de Minas Gerais.

Segundo Zema, a dívida dos estados com a União precisa ser renegociada em novas bases. Para ele, o governo federal não pode atuar como um “banco” na relação com os governos estaduais, impondo regras que, segundo argumenta, dificultam a recuperação das finanças locais.

Com a oficialização desta segunda-feira (27), Romeu Zema passa a integrar formalmente a corrida presidencial ao lado de outros nomes já homologados por seus partidos. Ele mantém aberta a negociação para definir quem ocupará a vice-presidência em sua chapa antes do encerramento do prazo eleitoral.