Zema associa caso Master à impunidade após anulação da Lava Jato

Pré-candidato à Presidência critica fim da operação anticorrupção e defende impeachment de ministros do STF

Romeu Zema
Romeu Zema Foto: Reprodução/TV Cultura

O pré-candidato a presidente da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou que um incidente como o caso envolvendo o Banco Master seria “pouco provável” se as condenações da Operação Lava Jato tivessem sido mantidas. Ele atribuiu o episódio de fraudes, cometido pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, à sensação de impunidade no Brasil, enfatizando que a falha não está na regulamentação, mas na ausência de punição efetiva para crimes financeiros.

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O que aconteceu

  • Romeu Zema relaciona o caso do Banco Master e as fraudes de Daniel Vorcaro à impunidade após a anulação da Operação Lava Jato.
  • O pré-candidato critica o programa Desenrola, comparando-o a um tratamento paliativo para o endividamento, e culpa a política fiscal do governo Lula pelos juros altos.
  • Zema defende o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para restaurar a confiança no Judiciário, citando indignação popular com casos como o do Banco Master.

Lava Jato e a sensação de impunidade

“Nós tivemos uma Lava Jato que foi toda desfeita. Quando se tem essa impunidade, parece que você está falando: raposas, entrem no galinheiro quando vocês quiserem, que não vai acontecer nada com vocês”, afirmou Zema em entrevista ao programa Canal Livre.

O pré-candidato afirmou ainda que a manutenção das condenações da Lava Jato teria reduzido a probabilidade de episódios semelhantes no sistema financeiro brasileiro. Para ele, o mesmo princípio também se aplica ao combate à violência e à criminalidade.

Parte das condenações da Lava Jato foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisões que apontaram irregularidades processuais e incompetência da Justiça Federal de Curitiba em alguns casos.

Desenrola: tratamento paliativo ou solução?

Romeu Zema (Novo) afirmou que o programa Desenrola, do governo federal, trata apenas os efeitos do endividamento das famílias, sem enfrentar sua causa estrutural. Zema comparou o programa de renegociação de dívidas a um tratamento paliativo.

“O Desenrola é a mesma coisa que pegar alguém com febre e colocar numa banheira com gelo. Eu quero curar a febre. Temos de atacar o problema na origem e não na consequência”, afirmou na entrevista.

O Desenrola foi criado na tentativa de facilitar a renegociação de dívidas de pessoas inadimplentes, com descontos e melhores condições de pagamento. O governo federal deve anunciar o Desenrola 2.0 nesta segunda-feira, 4.

Segundo Zema, o elevado nível de endividamento da população brasileira decorre da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, na visão do pré-candidato, contribui para a manutenção de juros elevados no Brasil. “O brasileiro está endividado, pagando prestação alta, inclusive da casa própria, por causa da gastança do Lula. As empresas estão quebrando, deixando de gerar emprego por isso”, disse.

Zema afirmou ainda que, se eleito, pretende priorizar a redução das taxas de juros como medida central de política econômica. Segundo ele, a queda do custo do crédito teria impacto direto sobre o orçamento das famílias, ao reduzir parcelas de financiamentos e empréstimos. “Todo mundo que compra qualquer coisa financiada hoje vai pagar muito menos e automaticamente a renda já melhora.”

Zema defende impeachment de ministros do STF

Zema (Novo-MG) disse que o povo brasileiro “que rala, que levanta cedo e que sabe que o país tem futuro” só voltará a se orgulhar do Supremo Tribunal Federal (STF) quando houver o impeachment de alguns dos ministros que ocupam as cadeiras da Corte atualmente.

Segundo o ex-governador de Minas Gerais, o aparente envolvimento de integrantes do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o caso do Banco Master causou indignação e desconfiança em relação à integridade do Judiciário.

“Os brasileiros ficaram indignados com tudo que está acontecendo em Brasília, especificamente, no STF. Para o brasileiro voltar a ter orgulho do Supremo, temos que tirar alguns elementos de lá. O caminho mais natural para isso é o processo de impeachment”, afirmou na entrevista ao programa Canal Livre.

O impeachment de ministros do STF depende da abertura de processo pelo Senado Federal. A Constituição determina que compete aos senadores processar e julgar integrantes da Corte por crimes de responsabilidade. Apesar de dezenas de pedidos terem sido apresentados nos últimos anos, nenhum ministro do Supremo foi destituído desde a redemocratização.

O futuro do Supremo e as próximas indicações

Os ministros do Supremo, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, terão a aposentadoria durante o mandato do próximo presidente da República. Caso não haja a indicação e aprovação de um nome para suceder a vaga deixada pelo ex-ministro Roberto Barroso ainda neste último ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há a possibilidade do candidato eleito ao Planalto em 2026 indicar 4 novos ministros.

A aposentadoria compulsória dos ministros do STF ocorre aos 75 anos, regra estabelecida pela chamada “PEC da Bengala”, promulgada em 2015. Antes disso, a idade limite era de 70 anos.

Zema acredita que o próximo presidente do Brasil terá “sabedoria e capital moral para indicar nomes adequados” para ocupar a Corte.

*Com informações do Estadão Conteúdo