Roma terá mais de 130 eventos por ocasião de sínodo na Amazônia

Roma terá mais de 130 eventos por ocasião de sínodo na Amazônia

Mais de 130 eventos foram agendados em Roma e outras cidades italianas por ocasião do sínodo de defesa da Amazônia, que será realizado no Vaticano de 6 a 27 de outubro, com a participação de povos e personalidades indígenas da região, informaram nesta sexta-feira (20) os organizadores.

“Trata-se de acompanhar este grande esforço da Igreja”, explicou o cardeal Pedro Ricardo Barreto, vice-presidente da Rede Eclesiástica do Pan-Amazônica.

Sob o lema “Amazônia: Casa Comum”, reuniões, conferências, exposições e peregrinações dedicadas aos problemas da bacia amazônica foram organizadas em vários locais da capital italiana, para abordar tanto do ponto de vista de sua natureza quanto humano.

“Queremos dar voz à Amazônia”, disse o missionário Roberto Carrasco, que trabalha na região amazônica entre Peru, Colômbia e Equador e um dos coordenadores do evento.

Entre os momentos de maior espiritualidade está uma vigília de oração em 5 de outubro com a qual o evento será oficialmente aberto e uma missa cantada em 12 de outubro, escrita pelo padre espanhol Pedro Casaldáliga, representante da teologia da libertação, que reside no Brasil, onde se tornou defensor dos pobres e desfavorecidos.

– Peregrinação de bispos e indígenas em Roma –

Outro momento importante será a peregrinação no sábado, 19 de outubro, dos bispos e religiosos que participam do sínodo, juntamente com os líderes indígenas e representantes das mais de 300 aldeias da Amazônia ao longo das ruas de Roma, a partir da colina do Monte Mario, ao norte da capital, até a Basílica de São Pedro.

“Os líderes indígenas vão falar sobre seu território, sobre direitos humanos violados, seu isolamento, sua realidade”, disse Carrasco.

A preocupação com os graves problemas que afetam a Amazônia, como a devastação de seu território devido ao agronegócio, corrupção, imigração para cidades, abandono de povos indígenas, serão alguns dos temas abordados nos eventos organizados paralelamente à assembleia de bispos no Vaticano.

Vários grupos indígenas também viajarão para Nápoles (sul) e Milão (norte) e falarão sobre mudanças climáticas, um tópico que está “na moda”, reconheceu o secretário especial do Sínodo para a Amazônia, o jesuíta Michael Czerny, que será proclamado cardeal no dia 5 de outubro.

“Mas os povos indígenas sabem que não é um tema da moda. Eles são testemunhas disso e devemos ouvi-los”, acrescentou o religioso, subsecretário da seção de migrantes e refugiados do Vaticano, que acaba de chegar à Itália depois de passar um mês na Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru.

Considerado o pontífice mais sensível aos problemas ecológicos após publicar em 2015 a encíclica “Laudato Sí”, o argentino Francisco convocou a assembleia de bispos na Amazônia para proteger os povos daquela região que abrange nove países (Bolívia, Brasil Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa), considerada o pulmão do planeta.