A decisão de Márcio França de deixar a disputa pelo governo de São Paulo para concorrer ao Senado, em prol da candidatura do petista Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes, fortaleceu ainda mais a trajetória do governador Rodrigo Garcia (PSDB) pela reeleição. É que com França no páreo, Rodrigo era o quarto nas pesquisas e agora é o segundo, em empate técnico com o bolsonarista Tarcísio de Freitas. E, de quebra, ganhou o apoio do União Brasil de Luciano Bivar, o que vai lhe render o maior tempo na TV do que todos os demais candidatos: ele salta de 2 minutos e 40 segundos para mais de 4 minutos. E como o governador tem inúmeras obras para mostrar, sairá em vantagem na TV. Sergio Moro, do partido de Bivar, também aparecerá em sua propaganda no rádio e televisão.

Munição

Como a disputa por uma vaga no segundo turno se travará entre Rodrigo e Tarcísio, a equipe do tucano descobriu que o vice do candidato de Bolsonaro, o ex-prefeito de São José dos Campos Felício Ramuth, virou réu na Justiça por improbidade administrativa pelo envolvimento
de suas empresas em licitações dirigidas na prefeitura de Praia Grande.

Missão indigesta

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Wilton Junior

Governistas da Comissão de Minas e Energia da Câmara avaliam que o atual presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, já cumpre a principal missão dada a ele pelo Planalto: brecar novos reajustes de combustíveis. Segundo esses congressistas, um aumento de 9% no preço da gasolina já deveria ter sido anunciado e o preço nas bombas está defasado. Resta saber se Caio vai segurar as pontas até as eleições.

Retrato falado

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“Insistir na pressão descabida e cínica sobre a Justiça Eleitoral é vassalagem a Bolsonaro” (Crédito:Fábio Motta)

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi direto ao ponto para rebater as declarações do ministro da Defesa, general Paulo Sergio Nogueira, sobre a segurança das urnas eletrônicas. Para Joaquim, as Forças Armadas devem permanecer quietinhas em seu canto, pois não há espaço para elas na direção do processo eleitoral. “Insistir nessa pressão é sinalizar que o Brasil caminha paulatinamente rumo a um golpe de Estado”, disse o ex-presidente do STF.

Safra recorde

No Brasil de Bolsonaro nada é positivo, mesmo quando há algo de positivo. O anúncio feito pelo IBGE de que a safra brasileira deve alcançar em 2022 a marca recorde de 261,4 milhões de toneladas, ou 8,2 milhões de toneladas a mais do que em 2021, veio precedido de uma análise de que apesar dos agricultores colherem mais, os alimentos continuarão com os preços elevados para os consumidores brasileiros. Isso porque grande parte da nossa produção é exportada em razão dos atraentes preços internacionais. Por que, então, o governo não compra parte da safra e forma estoques estratégicos para abastecer o mercado interno e reduzir os preços dos alimentos?

O sucesso do milho

O milho é o produto de maior sucesso nesta safra. A produção está estimada em 111,2 milhões de toneladas, com um crescimento de 26,7% em relação a 2021. A safra de trigo, de 8,8 milhões de toneladas, também será recorde, mas ainda insuficiente para atender nosso consumo (12 milhões de toneladas).

Toma lá dá cá

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André Figueiredo, líder do PDT na Câmara (Crédito:Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

Ciro Gomes está sendo abandonado por correligionários?
Temos absoluta compreensão de que existem vários estados em que haverá necessidade de palanques duplos, mas isso não significa que esteja ocorrendo uma debandada.

Ainda há chance de união entre Ciro e Simone Tebet?
Temos sempre esperança. São duas pessoas sensatas que podem se complementar em uma via que represente uma grande alternativa para o povo.

A reação das instituições ao golpismo de Bolsonaro é tíbia?
Ele está vivendo uma situação eleitoral cada vez mais difícil. Precisamos estar atentos como Poder Legislativo e Judiciário e sociedade civil para enfrentar a perspectiva de repetição do que as pessoas ligadas ao Trump fizeram no Capitólio.

Compra de votos?

Em fevereiro de 2021, Rodrigo Pacheco foi eleito presidente do Senado com o voto de 57 senadores. Mas agora o Estadão revela que os eleitores de Pacheco receberam, durante o ano passado, R$ 2,3 bilhões em emendas do orçamento secreto. A senadora Eliane Nogueira, mãe do ministro Ciro Nogueira, foi a segunda que mais recebeu: R$ 399,3 milhões.

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Edilson Rodrigues

Disputa desigual

O que mais recebeu foi o relator do orçamento, Marcio Bittar, que abocanhou R$ 460,3 milhões. O próprio Rodrigo Pacheco ficou em terceiro, contemplado com R$ 180,4 milhões. Já os 21 eleitores de Simone Tebet (MDB-MS), que disputou a presidência do Senado contra Pacheco, receberam somente R$ 130,1 milhões em emendas secretas. É uma excrescência.

Ovelha negra da família

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Evandro Oliveira

O deputado estadual Tiago Simon, filho do senador Pedro Simon, um dos líderes históricos do MDB, tem sido um dos obstáculos para se fechar o acordo nacional do MDB com o PSDB em torno da candidatura da senadora Simone Tebet a presidente. É que o deputado lidera a ala bolsonarista do MDB gaúcho que não quer ver o partido apoiando o tucano Eduardo Leite para o governo do RS.

Rápidas

Agora que o PSB desistiu do governo de SP em favor do PT, o partido espera que Lula desista de lançar André Ceciliano a senador no RJ, prestigiando Alessandro Molon, e também retire o nome de Edegar Pretto da disputa pelo governo do RS e apoie Beto Albuquerque.

Depois de ter revelado que recebeu R$ 50 milhões em emendas parlamentares por ter apoiado a eleição de Rodrigo Pacheco, o senador Marcos do Val está sendo pressionado pela bancada do Podemos a deixar o partido.

O presidente do STJ, Humberto Martins, prestou um favor a Bolsonaro ao anular duas condenações de José Roberto Arruda, restabelecendo seus direitos políticos. Ele pode ser o candidato do Palácio do Planalto ao governo do DF.

Bolsonaro continua batendo recordes em termos de desmatamento na Amazônia. Nos seis primeiros meses de 2022, madeireiros ilegais devastaram 3.988 quilômetros quadrados da floresta amazônica: é o maior desde 2016.