Edição nº2504 08.12 Ver edições anteriores

Rodrigo Caio e os bonzinhos do esporte

Na Copa de 1986, Maradona marcou com a mão (“La Mano de Dios”, na inesquecível definição) um dos gols da vitória da Argentina contra a Inglaterra. A tramoia abriu caminho para o craque argentino se tornar campeão do mundo e virar lenda. Em 1990, Ayrton Senna bateu de propósito na Ferrari de Alain Prost para tirar o francês da corrida e fisgar o título da Fórmula 1. Em 2010, o técnico Bernardinho mandou a seleção de vôlei entregar uma partida e, assim, pegar um adversário mais fraco no mundial.

Sabe o que aconteceu? O Brasil ganhou o campeonato. Gênios do esporte, os três senhores acima têm milhões de fãs por aí. Desconfio que você até chorou por uma das conquistas deles, não é mesmo? Agora vem cá: e se Maradona, Senna e Bernardinho não tivessem cometido, cada um ao seu modo, pequenas transgressões? Provavelmente teriam menos triunfos no seu colossal rosário de glórias.

Você se arrepiou inteiro quando Senna superou Prost? Beleza, não se esqueça do ardil de nosso tricampeão. Nos últimos dias, Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo, foi o nome das redes sociais por ter admitido ao árbitro que ele próprio pisou no pé do goleiro do seu time, evitando que o atacante Jô, do arquirrival Corinthians, levasse cartão amarelo. O gesto de Rodrigo Caio inflamou ânimos. Uns analistas bocós disseram que ele é exemplo para um País açoitado pela corrupção.

Um blogueiro queridinho afirmou que Rodrigo mudou a história do futebol. Outro postou que o são-paulino merece a faixa de capitão da seleção. Bobagem. No esporte, sinto dizer aos puristas de plantão, há pouco espaço para bonzinhos. Ao se entregar, Rodrigo Caio protegeu um time que estava ganhando graças a um delito.

A saber: o São Paulo, àquela altura, perdia por 1 a 0. Detalhe sórdido: com um gol impedido de Jô, o sujeito que Rodrigo Caio acudiu na partida. Se todos agissem feito santos, o futebol acabaria. Olha só: fosse assim, Jô deveria ter dito ao árbitro que estava impedido e que seu gol não valeu. O goleiro que faz pênalti seria obrigado a se revelar para o juiz que não viu
o lance, como um criminoso arrependido. Por essa lógica, deveríamos aplaudir os gols de nossos rivais e não sofrer com as derrotas humilhantes? Qual é a graça disso? Esporte de alto nível não tem nada  a ver com honra ao mérito. Se você quer ser bonzinho, faz um post sensível no Facebook e passa a bola para os competidores de verdade.

E se Maradona e Senna não tivessem cometido pequenas transgressões? Provavelmente teriam menos triunfos no seu colossal rosário de glórias

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