Cultura

Roberto Mendes e as tradições da Bahia

Depois de 11 anos sem lançar disco, investindo na literatura e em palestras, o baiano Roberto Mendes voltou aos estúdios para a gravação de Na Base do Cabula, que saiu no ano passado. Ele faz shows de lançamento do álbum no Sesc 24 de Maio, com as participações do violonista Guinga e da cantora Ceumar.

O disco, feito em voz e violão, serve como uma introdução à obra de Mendes, que é de Santo Amaro da Purificação, a mesma cidade onde nasceram Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Das nove faixas de Na Base do Cabula, seis são regravações. A atmosfera do disco e o violão percussivo de Mendes transmitem a tradição musical do Recôncavo Baiano, incluindo as vertentes do samba de roda, como a chula. “A proposta desse disco é mostrar como o violão como percussão ferida é tocado no Recôncavo. Conheci muitos violeiros e fui desenvolvendo. O violão é o instrumento da minha casa”, afirma Mendes.

Entre as regravações incluídas no álbum está A Beira e o Mar, que Mendes e Jorge Portugal fizeram a pedido de Bethânia, em 1984. Um ano antes, ela havia gravado Filosofia Pura, também da dupla, com participação de Gal Costa. “É uma música muito especial para mim e Portugal. A releitura está bem diferente”, explica Mendes, lembrando que a canção batizou um álbum de Bethânia.

Nos shows, Mendes recebe Guinga para interpretar Cidade e Rio, do disco homônimo que ele lançou em 2008. O violonista participou da gravação da faixa e pela primeira vez toca a música ao lado do anfitrião em show para o público.

A presença de Ceumar nas apresentações, de acordo com Mendes, é a realização de um sonho. “Ela é uma cantora de verdade, estou muito feliz. Fiz música a vida inteira para ver as cantoras cantando, não tenho dúvida disso”, conta o músico, que também já ouviu suas canções nas vozes de Elba Ramalho, Fabiana Cozza e Mariene de Castro.

ROBERTO MENDES

SESC 24 DE MAIO

R. 24 de Maio, 109, 4ª (15)

E 5ª (16), 21H, R$ 12 A R$ 40

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.