Roberto Mancini é o novo técnico da Itália em meio à crise da Azzurra

Giovanni Malagò, presidente da Federação Italiana de Futebol, confirmou o retorno do treinador para tentar tirar a equipe da má fase

A Federação Italiana de Futebol (Figc) confirmou nesta terça-feira (28) a contratação de Roberto Mancini, de 61 anos, como novo treinador da seleção do país. A decisão, anunciada pelo presidente Giovanni Malagò em Roma, encerra a busca por um novo comandante para a Azzurra, que enfrenta a maior crise de sua história e não participa de uma Copa do Mundo desde 2014.

O que aconteceu

  • Roberto Mancini foi oficialmente anunciado como o novo técnico da seleção italiana em meio à grave crise da Azzurra.
  • A escolha pôs fim a uma longa novela que envolveu a saída de Paolo Maldini e a polêmica recusa da contratação de Andrea Pirlo.
  • Claudio Ranieri também assume a diretoria técnica, buscando reestruturar o futebol italiano ao lado de Mancini.

Giovanni Malagò afirmou que o tempo para a escolha do técnico estava se esgotando e que Roberto Mancini era a pessoa certa. Malagò fez a declaração após uma reunião da Figc em Roma, confirmando informações antecipadas pela agência ANSA. O cartola também anunciou Claudio Ranieri, um dos mais experientes treinadores do futebol italiano, como diretor técnico da seleção, substituindo Paolo Maldini, que se demitiu após a Figc vetar a contratação de Andrea Pirlo.

“Eu precisava de alguém com quem compartilhar a decisão do treinador, porque sem essa pessoa, meu raciocínio não teria sentido. Eu precisava de alguém para assumir a direção técnica, e a pessoa com quem compartilhei essas decisões foi Claudio Ranieri, que há poucos minutos me garantiu seu compromisso e está vindo da Calábria”, declarou Malagò.

A polêmica com Pirlo e a saída de Maldini

Eleito em junho para chefiar a Figc, Malagò, dirigente olímpico de sucesso na Itália, havia designado Maldini e o ex-meia brasileiro Leonardo para liderar o processo de escolha do novo técnico. No entanto, ambos renunciaram após o fracasso na contratação de Pirlo. Este cenário de instabilidade no comando técnico não é inédito, com a federação já tendo enfrentado desafios semelhantes em outras épocas.

O ex-craque do Milan e da Juventus, Andrea Pirlo, atual treinador do Dubai United, era o nome favorito de Maldini e Leonardo, depois das negativas de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola. Contudo, Pirlo acabou vetado por Malagò devido a um acordo de patrocínio com uma casa de apostas da Rússia.

“Havia um acordo com Pirlo, mas a evolução me levou a não aprovar mais essa candidatura”, admitiu o presidente da Figc, garantindo que a “separação” com Maldini se deu “sem polêmicas” e que tanto o ex-zagueiro quanto Leonardo foram “cavalheiros, francos, sinceros e honestos”.

Mancini: um retorno controverso?

Malagò assumiu a responsabilidade por ter parado o processo de escolha de Pirlo. Ele afirmou que o ex-jogador teria rescindido o contrato com a empresa da qual era garoto-propaganda. No entanto, por uma série de razões e oportunidades, o presidente da Figc não se sentiu à vontade para prosseguir. “Nem eu, nem, ao que parece, o diretor técnico [Maldini] sabíamos do contrato russo”, disse.

Mancini, que não era visto com entusiasmo por Maldini e Leonardo, será apresentado com Ranieri às 18h (horário local) desta quarta-feira (29). A expectativa é de que Malagò ainda anuncie até o fim da semana um dirigente para as categorias de base da seleção. Este novo ciclo ocorre após um período de grande instabilidade na Azzurra, onde dirigentes tiveram que lidar com crises e buscar garantias para a continuidade de seus treinadores, mesmo em momentos de resultados adversos.

Atualmente sem clube, Mancini já liderou a Azzurra entre 2018 e 2023, período marcado pelo histórico e inesperado título da Eurocopa em 2021. No entanto, sua passagem também ficou marcada pela derrota para a Macedônia do Norte, em casa, na repescagem europeia para a Copa de 2022. Em agosto de 2023, o treinador renunciou ao comando da Itália, culpando o então presidente da Figc, Gabriele Gravina, por sua saída. Duas semanas depois, foi contratado pela Arábia Saudita, onde permaneceria até outubro do ano seguinte.

Segundo Malagò, o “passado” de Mancini foi levado em consideração, mas o treinador “pediu desculpas” pela conturbada saída da Azzurra em 2023. “Isso é um pressuposto da apresentação de amanhã”, acrescentou o presidente da Federação. O técnico também tem passagens por Fiorentina, Lazio, Inter de Milão, Manchester City, Galatasaray, Zenit e Al-Sadd e acumula diversos títulos importantes em sua carreira.

Os próximos compromissos da seleção tetracampeã mundial estão marcados para o fim de setembro, contra Bélgica e Turquia, pela Liga das Nações da Uefa. (ANSA).