5 curiosidades sobre a vida e a obra de Robert Duvall, ator que morreu aos 95 anos

Sabia que o ator era mestre de tango e dividiu quarto com Dustin Hoffman?

Em 1984, Robert Duvall venceu o Oscar de Melhor Ator por sua atuação no filme 'A Felicidade Não se Compra'
Em 1984, Robert Duvall venceu o Oscar de Melhor Ator por sua atuação no filme 'A Felicidade Não se Compra' Foto: AP

Com a partida de Robert Duvall, Hollywood perde não apenas um vencedor do Oscar, mas um historiador da alma humana. Sua carreira, marcada por uma naturalidade quase documental, esconde bastidores fascinantes que moldaram o cinema como o conhecemos hoje.

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1. O “Consigliere” que não era italiano

Embora tenha ficado eternizado como Tom Hagen, o braço direito da família Corleone em O Poderoso Chefão, Duvall era um dos poucos do elenco principal sem ascendência italiana. Sua escalação foi estratégica: ele representava o “estranho no ninho”, o filho adotivo alemão-irlandês que trazia a lógica fria para os negócios passionais da máfia. Curiosamente, ele e James Caan (o Sonny Corleone) eram melhores amigos na vida real e passavam o tempo no set fazendo piadas para quebrar a tensão das cenas densas de Francis Ford Coppola.

2. O improviso que virou lenda

A frase mais famosa de sua carreira — “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã” — em Apocalypse Now, quase não saiu como planejada. Duvall estudou militares reais para criar o Tenente-Coronel Bill Kilgore e insistiu que o personagem deveria parecer “terrivelmente calmo” em meio ao caos. Ele acreditava que o verdadeiro horror da guerra vinha da indiferença de quem já estava acostumado a ela.

3. Descendente de um ícone da Guerra Civil

A conexão de Duvall com o gênero Western e com a história americana não era apenas profissional, mas genética. O ator era descendente direto do General confederado Robert E. Lee. Essa herança o levou a interpretar o próprio antepassado no filme Deuses e Generais (2003). Duvall era conhecido por se recusar a usar sotaques “caricatos” do sul, preferindo estudar dialetos específicos de cada região para garantir autenticidade.

4. O mestre do tango

Longe das câmeras, a grande paixão de Robert Duvall era o tango argentino. Ele descobriu a dança nos anos 80 e tornou-se um dançarino de nível profissional. Sua obsessão era tamanha que ele escreveu, dirigiu e protagonizou o filme O Assassinato: Um Tango (2002), filmado em Buenos Aires, para homenagear a cultura da dança. Ele chegou a manter uma residência na Argentina por anos.

5. Colega de quarto de outras lendas

Antes da fama, nos anos 50 em Nova York, Duvall dividiu apartamentos minúsculos com outros dois jovens aspirantes a atores que também mudariam a história do cinema: Dustin Hoffman e Gene Hackman. Os três eram conhecidos nos circuitos de testes como “The Terribles”, pois eram considerados intensos demais e pouco convencionais para os padrões da época. Eles permaneceram amigos íntimos por toda a vida.