Cultura

Rivalidade em ‘Cruela’ é reforçada pelos belos figurinos


A rivalidade de Estella/Cruella e da Baronesa se dá pela moda. Ao ser identificada como a autora de uma vitrine moderna na loja Liberty, Estella é imediatamente contratada pela Baronesa. Mas, se ambas têm talentos semelhantes, seus estilos não poderiam ser mais diferentes. A Baronesa é brilhante, mas está um pouco démodé. Seus vestidos são super estruturados, de tecidos pesados e pouco maleáveis, inspirados em Dior, Givenchy, Balenciaga. Já Estella representa o novo, o espírito punk que se alastrou na Londres dos anos 1970, representado na época por Vivienne Westwood e depois por Alexander McQueen e John Galliano.

O look de Cruella veio de uma foto da cantora Nina Hagen. “Foi muito inspirador ver aquilo, porque eu não era da turma da música naquela época”, disse a figurinista Jenny Beavan. Muitas das peças têm um ar dos mercados e brechós de Portobello Road, pois era comum misturar uma peça militar com uma saia de frufru, por exemplo. “A minha memória daquele tempo me ajudou muito. E muitas vezes cheguei ao set e vi peças iguaizinhas às que tinha”, contou Beavan. No total, a equipe fez 277 figurinos. Só a Estella/Cruella de Emma Stone tem 47 trocas de roupa. A Baronesa, outras 30. Até Horace e Jasper, os amigos de infância de Estella, têm 30 mudanças cada um, pois se disfarçam para aplicar seus golpes.

Estella se transforma em Cruella para se vingar da Baronesa, fazendo verdadeiras performances em seus bailes refinados e outros eventos de moda e tirando o foco da sua rival, que fica possessa. Num deles, ela aparece com uma saia gigante vermelha, que cobre um carro. Foram 393 metros de organza, com 5.060 pétalas colocadas a mão, uma a uma.

“Precisava ser pesado o suficiente para rodar, mas leve para a Emma Stone poder subir no carro. Foi um desafio”, disse Beavan, vencedora do Oscar por Uma Janela para o Amor (1985) e Mad Max: Estrada da Fúria (2016).

Em outra ocasião, Cruella aparece num caminhão de lixo, usando um vestido feito com peças da coleção 1967 da Baronesa. “Isso parecia algo apropriadamente agressivo para Cruella fazer”, disse o diretor Craig Gillespie. “Eu queria homenagear essa coisa moderna de reusar, refazer e reformar coisas”, disse Beavan. O vestido tem uma cauda de 12 metros, presa por cabos ao corpo quando Emma Stone percorre as ruas de Londres em cima da caçamba do caminhão de lixo, às 3 da manhã. Sem o truque, a atriz não conseguiria se movimentar. Os dois vestidos foram os favoritos de Stone. “Não é nada remotamente parecido com algo que eu realmente poderia usar na vida real”, disse ela. “Aquela saia vermelha, também. Quando vesti, senti: Isso aqui é mesmo num filme.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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