Edição nº2585 11/07 Ver edições anteriores

Risco sem retorno

DIREITO Para Cristovam, no momento em que o governo facilitar a posse de armas, vai gerar um direito adquirido (Crédito:Lia de Paula)

Assusta o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) o risco de irreversibilidade de medidas tomadas por pura convicção ideológica pelo governo Bolsonaro mesmo que elas depois se mostrem completamente equivocadas. “Qualquer mudança de ajuste na política externa, por exemplo, gera reações em cadeia no mundo que depois ficam muito difíceis de corrigir”, observa o senador. O maior risco, porém, ele enxerga na flexibilização da posse de armas. “Isso vai gerar um direito adquirido que, depois, nenhum presidente conseguirá reverter”, teme ele. Mesmo que, em vez de ajudar na redução da criminalidade, venha a, na verdade, produzir tragédias. “Nos Estados Unidos, mesmo com sucessivos casos de assassinatos em massa e atentados contra presidentes e outros políticos, ninguém consegue tirar”, lembra Cristovam.

“Bolsa-bala”

Pelo contrário, Cristovam imagina que flexibilizado o porte, a coisa vai se ampliar. “Logo alguém vai argumentar que esse direito de portar armas tenha de ser para todos, com financiamento para a compra de revólveres pela população mais carente. “Ainda veremos o bolsa-bala?”, provoca o senador.

Insucesso

Em outra provocação, o senador do DF comenta o contrassenso de um governo oriundo do pensamento militar e de segurança defender o armamento da população. “Essa defesa embute que o aparato de segurança falhou na proteção do cidadão. E sugere que o cidadão se defenda ele mesmo. É uma admissão de insucesso”, diz.

Rápidas

* Além de ter dito que o Brasil esteve ao lado dos Estados Unidos em “três guerras mundiais”, quando só houve duas delas, chamou a atenção o tom bélico do discurso de posse do almirante Ilques Barbosa Júnior ao assumir o Comando da Marinha.

* Para o almirante, é “escasso” o contraste entre “Guerra e Paz” nos tempos atuais. Ilques considera que o Brasil corre riscos pela “magnitude” de suas riquezas. Que “as situações de conflito” vividas hoje no planeta só fazem aumentar.

* Ilques citou especificamente a bacia hídrica da Amazônia e os oceanos de onde o país retira petróleo e gás natural. Áreas cuja responsabilidade de controle é da Marinha.

* Para dizer, ao final, que tais riscos geram a necessidade de uma “prontidão permanente”. Na presença de Jair Bolsonaro e de seu vice, o general Mourão, muitos viram no discurso do almirante o tom dos novos tempos.

Excessos

Divulgação

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) explicou por que ficou revoltado quando foi retirado por um segurança da primeira fila de cadeiras no plenário na posse do presidente Jair Bolsonaro. “Tratava-se de uma sessão do Congresso e, em princípio, ela deve respeitar o regimento. Se havia alguma mudança necessária por conta de questões de segurança ou qualquer outra, essa mudança tinha de ser previamente conversada conosco”, reclamou.

Retrato falado

“Muito pensa quem está calado” (Crédito:Jefferson Rudy)

Candidato à Presidência nas eleições do ano passado pelo Podemos, o senador Álvaro Dias (Pode-PR) disse a ISTOÉ que está na muda quanto ao futuro governo de Jair Bolsonaro. Por enquanto, ele prefere apenas observar os movimentos, idas e vindas e desencontros da transição. O senador torce para que dê certo, especialmente o combate à corrupção. Ele também pretendia tornar o juiz Sérgio Moro ministro caso fosse eleito. Quanto ao resto, não comenta. Espera. A frase ele disse ter ouvido de um experiente prefeito no início da carreira.

Fundos de Pensão

Nos últimos anos, os fundos de pensão viraram várias vezes notícia envolvidos em escândalos. Além do início do governo Jair Bolsonaro, que promete novo marco no combate à corrupção, há também uma oportunidade grande de mudança com relação a esses grupos de previdência. Até o começo de fevereiro, os servidores públicos federais do Executivo e do Legislativa elegerão os novos integrantes dos conselhos Deliberativo e Fiscal e dos comitês ExecPrev e LegisPrev do Fundo de Previdência dos Servidores Públicos (Funpresp). Trata-se do poderoso fundo de previdência complementar da turma de alta renda do serviço público. É o maior fundo previdenciário da América Latina.

7 bilhões

O poderoso fundo dos servidores públicos tem em caixa R$ 1,2 bilhão. Em cinco anos, estima-se que possa chegar a R$ 7 bilhões. São 72 mil servidores a contribuir. Márcio Costa, atual presidente do Conselho Fiscal, quer manter distância dos políticos e melhorar a transparência do fundo.

Descobriu um santo…

As empresas que fornecem serviços aos deputados que são ressarcidos com a verba de representação parlamentar estão sem receber desde dezembro. Segundo a assessora de um deputado, as empresas bateram na porta do gabinete no início do ano cobrando o ressarcimento. O deputado tem três notas empenhadas no ano passado sem pagamento.

Mateus Bonomi / AGIF

… cobriu outro

Ao se dirigir ao setor de pagamento, a servidora ouviu que “não há recurso para quitar a dívida”. Em contrapartida, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), antecipou o auxílio-moradia. O benefício é praticamente o mesmo da verba de gabinete. A assessora desconfia que Maia descobriu um santo para cobrir outro.

Voto secreto

Mateus Bonomi

Mantido o voto secreto, cresceram as chances de Renan Calheiros (MDB-AL) tornar-se presidente do Senado, mesmo com toda a oposição do governo Bolsonaro a seu nome. Renan trabalha para obter todos os votos de seu partido que tem a maior bancada. a senadora Simone Tebet (MDB-MS) se recolheu.

Toma lá dá cá

Kim Kataguiri (DEM-SP) (Crédito:ALEX SILVA)

O senhor pediu ao STF que a votação para presidente da Câmara fosse aberta, mas o pedido foi negado. Foi um erro?
O cidadão tem direito de saber em quem o seu deputado vota.

Sua candidatura é para valer, já que os deputados não costumam escolher novatos?
Sim. A Câmara também nunca teve uma renovação tão grande como esta. Então, acho que a lógica antiga perde sentido.

Mas o PSL declarou apoio à reeleição de Rodrigo Maia, que, aliás, é de seu partido…
Discordo dessa visão. Entendo que o PSL tenha receio de ficar num bloco perdedor e não aprovar as reformas necessárias. Mas isso não vai acontecer.


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