[Contém spoiler!]
‘Rio de Sangue’, o novo thriller nacional estreante nos cinemas na última quinta-feira, 16, reúne artistas de destaque da dramaturgia nacional, como Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Felipe Simas, Antonio Calloni, Vinicius de Oliveira e outros, em uma trama que não é apenas sobre vingança; é um estudo sobre o colapso moral em um cenário de isolamento.
Dirigido por Gustavo Bonafé, o longa-metragem flerta com o suspense psicológico e mergulha nas águas turvas de uma trama familiar que se desintegra diante de um crime brutal. Giovanna, que dá vida à policial Patricia Trindade, vive uma relação distante e cheia de desafios com a filha, Luiza, interpretada por Wegmann. No entanto, as duas se unem após a médica humanitária ser sequestrada por garimpeiros em território amazônico.
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Patricia, que foi afastada da corporação após uma operação fracassada e passou a ser jurada de morte pelo alto escalão do narcotráfico, coloca sua vida em risco para salvar a filha. É a partir daí que vemos uma Antonelli completamente diferente do costumeiro glamour das comédias e das telenovelas em que a artista é inserida – até mesmo de outra figura policial que interpretou na ficção, a famosa delegada dona Helô de “Salve Jorge” (2013).

Cena do filme “Rio de Sangue” – Foto: Divulgação
Com uma postura contida e firme, a atriz interpreta uma mulher cuja resiliência é testada ao limite, usando o silêncio e o olhar como suas principais ferramentas de atuação. Alice Wegmann, por outro lado, confirma seu status como uma das atrizes mais potentes de sua geração. Sua personagem é uma força da natureza, movida por um trauma que a torna imprevisível.
O contraste entre as duas traz a quem está assistindo uma tensão constante que gera curiosidade do início ao fim e sustenta a história dramática.
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A forma como “Rio de Sangue” apresenta a geografia brasileira é complexa e nos faz viajar entre a beleza natural de sua fotografia, até a angústia de visitar locais distantes que mais parecem labirintos. A trilha sonora, composta por batidas graves e sons ambientais que fixam na mente, também colabora para a sensação de que algo terrível está sempre prestes a acontecer.
É indiscutível reforçar que “Rio de Sangue” foge das fórmulas óbvias do cinema de gênero de ação no Brasil. É um filme desconfortável, dramático e que se compromete quando questiona os limites das ações humanas – e de que como a Justiça ainda é falha.

Cena do filme “Rio de Sangue”