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Richarlison era ‘Lamparina’ na várzea e agora ilumina o caminho do ouro em Tóquio


O atacante que fez história nesta quinta-feira ao marcar três dos quatro gols da vitória brasileira sobre a Alemanha, na estreia das duas seleções na Olimpíada de Tóquio-2020, já foi vendedor de picolé em Nova Venécia (ES) e tinha o apelido de Lamparina quando estava atuando na várzea. Em entrevista ao Estadão, o comunicador Edvaldo Alves, da Rádio Cidade, falou um pouco do cotidiano do jogador famoso que hoje é um ilustre filho do município capixaba e brilha na equipe do técnico André Jardine.

“O Richarlison teve uma vida muito simples. Era de uma família pobre e vendia picolé para ajudar em casa. Sempre foi uma pessoa generosa e ligada às raízes. E desde cedo, sempre gostou muito de jogar futebol”, disse Alves.

O apelido de Lamparina foi dado por Tião Borboleta, um dos primeiros treinadores que comandaram Richarlison ainda na infância. “Ele gostava de chamá-lo assim por clarear as jogadas. Achava sempre um jeito de facilitar os lances. Além de saber fazer gols também”, afirmou o comunicador.

Richarlison se destacou pelo Leão de São Marcos. Mas antes disso, chegou a despertar suspeitas de que não levava muito jeito para o futebol em seus primeiros chutes na bola. “Isso foi quando ele jogou no Palestra, time que fazia parte de um projeto social. Talvez por timidez, o Richarlison não tenha se destacado. Mas depois, ele evoluiu de uma tal forma que ninguém mais segurou. Esse projeto, que ainda existe, é muito importante para tirar os garotos da criminalidade”, comentou Alves.

Envolvido em questões sociais para ajudar a sua cidade natal, o atacante sempre procura ajudar as regiões carentes do município com algum tipo de auxílio e a sua popularidade no futebol. Entre os seus empreendimentos na localidade está o Nova Venécia Futebol clube, onde o atleta aparece como padrinho. A equipe, que disputa a Série B do Campeonato Capixaba, vai de vento em polpa na competição e tem 100% de aproveitamento nas três primeiras rodadas. As cores do time são o verde e amarelo e o mascote é um leão.

“A equipe é recém-formada e o treinador é o Cassio, que foi lateral esquerdo do Vasco nos anos 90. O grupo é composto por atletas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e a estrutura é bem legal. Tanto é verdade, que no início houve dificuldade para reunir um elenco e disputar o campeonato. Com a boa campanha, vários jogadores já estão interessados em jogar aqui”, contou Alves.

Antonio Marcos, de 45 anos e pai de Richarlison, faz parte do elenco do Nova Venécia. No último confronto, em que o time local bateu o Aster por 4 a 0, o patriarca entrou em campo nos minutos finais. “Mas foi bem no finalzinho e acho que ele nem chegou a tocar na bola”, comentou Alves. Outro parente a figurar no plantel é Elton, tio do atacante, que tem 37 anos.

No projeto do clube, está a construção de um estádio. A previsão é que ele esteja concluído em 2022. Com capacidade para três mil pessoas, o campo levará o nome do avô do jogador, que já é falecido: Armindo Francisco da Silva. “O Richarlison foi criado pelos avós e tem muito carinho por eles. A homenagem é justa”, disse o comunicador.

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