Perspectiva 2017

Retomada da confiança

O que o Brasil precisar fazer para superar o pessimismo, atrair investimentos e voltar a crescer. A boa notícia é que o governo já começou a agir

Retomada da confiança

Perspectiva 2017

Resgatar a confiança é o primeiro passo para a recuperação da economia. Uma vez abalada, inverter o pessimismo do ambiente econômico se torna um processo lento e gradual. É exatamente essa fase que o Brasil atravessa agora. De acordo com indicadores recentes, o pior já passou. Nos últimos meses, os índices de confiança deram sinais de melhora – entre o segundo e o terceiro trimestre, passaram de 67 para 78 pontos (consumidor) e de 73 para 80 (empresários), segundo a Fundação Getúlio Vargas. “A confiança despenca quando se tem incertezas em relação ao futuro”, diz a doutora em Economia pela Universidade de São Paulo e diretora da LCA Consultoria, Claudia Viegas. “Quando se sabe a regra do jogo, é possível diminuir os riscos e tornar o ambiente mais predisposto a investimentos”.

Entre os principais desafios impostos ao País, nenhum é tão urgente quanto a recuperação do emprego. Em apenas dois anos, o número de brasileiros desocupados dobrou, chegando a 12 milhões de pessoas. Como reverter esse quadro? O governo lançou, no início de dezembro, uma série de medidas com potencial para melhorar o ambiente de negócios do País e, assim, estimular as empresas a contratar. Embora polêmica, a PEC do Teto de Gastos talvez seja uma das iniciativas mais importantes adotadas no Brasil nos últimos anos. Com ela, o Estado passa a obedecer uma regra simples que norteia a vida das empresas e famílias responsáveis: não se deve gastar mais do que se ganha.

FÁBRICA DA GM O setor automotivo pode dar um salto de quase 10% em 2017, segundo projeções do governo
FÁBRICA DA GM O setor automotivo pode dar um salto de quase 10% em 2017, segundo projeções do governo

Com o balizamento da PEC, o governo ajustará suas contas, a dívida pública diminuirá e o mercado (leia-se investidores) começará a se sentir mais seguro para injetar recursos na economia. Cria-se, com esse ciclo, um cenário menos estressante. Detalhe: os investimentos caíram vergonhosos 13,5% em 2016 na comparação com o ano anterior, o que demonstra a urgência de uma proposta como essa. Sem investimentos, não há emprego. Sem emprego, não existe consumo. Sem consumo, as empresas não produzem. Sem nada disso, o PIB despenca. Para o setor privado, confiança é tudo. “A agenda microeconômica, o que vai ser feito no dia a dia para a retomada do investimento em cada setor, é crucial para inverter a trajetória negativa e impedir que o Brasil volte a ter ‘voo de galinha’”, diz Viegas, da LCA Consultoria. Além da PEC dos Gastos, o atual governo resolveu atacar outro gargalo histórico: o déficit da Previdência. Se conseguir fazer o ajuste necessário, retirando mordomias e tornando o sistema mais justo, o Brasil terá dado um passo fundamental para um futuro menos turbulento.

Juros mais baixos

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também anunciou nas últimas semanas um pacote de medidas para reduzir os custos das empresas, aliviar dívidas de pessoas físicas e jurídicas e reduzir a burocracia do comércio exterior. Entre as iniciativas, está um programa de recuperação de débitos fiscais para as empresas, incentivo ao crédito imobiliário e redução da multa do FGTS para o empregador. Para conter os juros, o Conselho de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, levando a taxa aos atuais 13,75% ao ano. “Essas reformas representam um importante caminho para a retomada da confiança”, diz o analista da Consultoria Empiricus, Max Bohm. “Entre elas, a queda dos juros é a principal variável que irá baratear o custo de capital e atrair mais investimentos, além de, no âmbito do consumidor, fomentar um crescimento de crédito e produzir uma melhora na atividade econômica como um todo”. Se 2016 foi um ano sofrível para a economia, 2017 promete ser o da recuperação. Que assim seja.

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O que o governo precisa atacar para colocar o País de volta nos trilhos


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Desemprego
atingiu 12,3% em outubro de 2016 (dobrou desde o início de 2014, passando de 6,2 milhões para 12 milhões de pessoas). O Planalto anunciou uma série de medidas para frear o índice: criação de um programa de recuperação de débitos fiscais para as empresas, incentivo ao crédito imobiliário e redução da multa do FGTS para o empregador

Juros altos
o governo já começou a baixar os juros e o mercado estima que haverá uma redução de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), em fevereiro. Desde outubro, a Selic sofreu duas reduções de 0,25 ponto, levando a taxa aos atuais 13,75% ao ano

Queda de investimentos
os investimentos em 2016 caíram 13,5%, segundo o IBGE. Para atrair recursos, o governo anunciou um pacote de medidas microeconômicas que objetivam reduzir os custos das empresas e diminuir a burocracia do comércio exterior

Gasto público
a dívida bruta do governo, como proporção do PIB, saltou de 51,3% em 2011 para mais de 66,5% em 2015, devendo atingir 70,9% em 2016. Para brecar essa escalada, o governo aprovou a PEC do Teto, que fixa um limite para os desembolsos públicos por 20 anos

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