Responsável da ONU para o clima afirma que ‘nova desordem mundial’ afeta a cooperação

O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, instou nesta quinta-feira (12) aos países a se unirem contra uma “ameaça sem precedentes” à cooperação internacional por parte das forças favoráveis aos combustíveis fósseis, justo quando o presidente americano Donald Trump abala a ordem mundial.

“Estamos diante de uma nova desordem mundial”, afirmou Stiell em Istambul.

“Este é um período de instabilidade e insegurança. De armas poderosas e guerras comerciais. O próprio conceito de cooperação internacional está sendo atacado”, acrescentou na Turquia, que em novembro sediará a conferência do clima da ONU, a COP31.

O alto cargo considera “difícil imaginar uma década durante a qual a cooperação internacional em matéria de clima tenha propiciado mais avanços concretos” mas soou o alarme sobre “uma ameaça sem precedentes”.

Uma ameaça que, segundo ele, provém “daqueles que estão determinados a usar seu poder para desafiar a lógica econômica e científica e acrescentar a dependência em relação ao carvão, petróleo e gás poluentes”. Não citou nenhum país.

Stiell fez o discurso na presença do ministro do Meio Ambiente da Turquia, Murat Kurum, e do presidente da COP30, André Correa do Lago.

Desde seu retorno ao poder, Trump iniciou um amplo retrocesso em matéria climática. Nesta quinta-feira, ele pretende revogar um texto que serve de base para o combate às emissões de gases de efeito nos Estados Unidos, uma guinada radical à qual se opõem cientistas e defensores do meio ambiente.

Antes, o presidente republicano já havia saído do Acordo de Paris sobre o clima.

Esta mudança de rumo, que muito provavelmente será contestada nos tribunais, representará um duro golpe para a ação climática dos Estados Unidos, o principal emissor de substâncias poluentes.

Prevê-se ainda que o anúncio desta quinta-feira venha acompanhado da supressão das normas sobre emissões de gases de efeito estufa para os automóveis.

Donald Trump considera o aquecimento global a “maior fraude” da história e elogia o petróleo e o carvão.

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