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Republicanos acreditaram em ‘ficção’ russa sobre Ucrânia, diz especialista

Republicanos acreditaram em ‘ficção’ russa sobre Ucrânia, diz especialista

Fiona Hill, ex-funcionária do Conselho de Segurança Nacional, antes de testemunhar no Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, em Washington, 21 de novembro de 2019 - AFP

A especialista em Rússia Fiona Hill disse no Congresso americano, nesta quinta-feira (21), que os republicanos que defendem o presidente Donald Trump nas audiências para seu julgamento político acreditaram em uma “teoria conspiratória falsa” sobre a Ucrânia criada pela Rússia.

Ex-funcionária do Conselho de Segurança Nacional, Fiona testemunhou no Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes que a teoria em que alguns republicanos e o presidente Trump acreditam é uma “ficção” montada por Moscou para deflagrar o caos na política americana.

Fiona se refere à versão de que a Ucrânia, e não a Rússia, foi o país que interferiu nas eleições de 2016.

“Alguns de vocês neste comitê parecem acreditar em que a Rússia e seus serviços de segurança não fizeram uma campanha contra nosso país e que, talvez, de alguma forma, Ucrânia fez isso”, afirmou ela em um testemunho apresentado previamente.

“Esta é uma narrativa fictícia lançada e propagada pelos próprios serviços de segurança russos”, afirmou.

Ao longo desta investigação, várias testemunhas disseram que o presidente acreditava ter sido a Ucrânia, e não a Rússia, o país que interferiu nas eleições presidenciais de 2016.

Esse segredo teria sido escondido pelos democratas em um servidor informático secreto controlado pela Crowdstrike, uma empresa de cibersegurança ucraniana – o que “confirmaria” esta tese.

Até agora, não apareceu qualquer prova que sustente nenhuma destas duas afirmações, mas Trump e seu advogado pessoal, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, pressionaram a Ucrânia para que abrisse uma investigação sobre o assunto.

No telefonema de 25 de julho, denunciado por um informante anônimo e que foi o gatilho para o processo de impeachment, Trump pediu ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que lhe fizesse um “favor”.

“Gostaria que averiguasse o que aconteceu com todo este assunto com a Ucrânia”, disse Trump, referindo-se à empresa de cibersegurança ucraniana por seu nome.

Ao comitê, Fiona Hill disse que a história sobre a Ucrânia é parte de um esforço da Rússia para “enfraquecer” os Estados Unidos.

“No curso desta investigação, eu lhes pediria que, por favor, não promovam falsidades com intenções políticas que, de forma tão clara, beneficiam interesses russos”, insistiu ela.

“Não devemos deixar que a política doméstica nos impeça de nos defendermos das potências estrangeiras que realmente desejam nos prejudicar”, acrescentou.

“O tempo para detê-los está se esgotando”, advertiu.

A caminho de se tornar o terceiro presidente americano a ser submetido a um processo de impeachment, Trump afirma que não fez nada de errado, que não houve nada irregular na conversa, e continua a chamar a investigação de “caça às bruxas”.