ROMA, 28 JAN (ANSA) – No segundo dia das consultas sobre a formação de um novo governo, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, recebeu nesta quinta-feira (28) lideranças políticas e grupos parlamentares, incluindo o centrista Itália Viva (IV), do ex-premiê Matteo Renzi, e o Partido Democrático, que compõe a base aliada.
Agora a tarde, o primeiro a ser consultado foi Renzi, responsável por deflagrar a crise no governo após retirar sua legenda da coalizão com o Movimento 5 Estrelas (M5S) e o PD. Ele disse que está pronto para um diálogo e para ajudar a formar um novo governo, mas não se compromete a apoiar um terceiro mandato do premiê demissionário Giuseppe Conte.
Logo após a reunião com Mattarella, o líder do IV afirmou à imprensa que eleições antecipadas seriam um erro e seu partido prefere a opção de um novo governo “político” em vez de um institucional, para acabar com o impasse.
“Demos ao presidente da República a nossa vontade de encontrar soluções para um governo mais político do que institucional, mas também estamos dispostos a apoiar um governo institucional”, disse.
Ao ser questionado se tinha veto contra o retorno de Conte com uma nova plataforma política, Renzi explicou que não tem “problemas pessoais” com o político, mas não sugeriu o nome dele ao presidente italiano.
O ex-premiê italiano ainda ressaltou que apoia primeiramente um mandato exploratório a outra pessoa para verificar se o M5S e o PD ainda querem maioria com o Itália Viva. Ele, porém, não colocou restrições de nomes. “Não vejo possibilidade de formar uma maioria política que não inclua o Itália Viva”, disse.
Para ter direito a um terceiro governo, Conte precisará atrair mais parlamentares de oposição ou reconstruir a aliança com o IV, que tem cobrado profundas mudanças nas políticas econômicas do governo, especialmente em relação ao uso de repasses europeus.
Entre outras opções para o desfecho da crise política está a indicação de um nome alternativo a Conte e que possa restabelecer a coalizão entre M5S, PD, o Itália Viva e algumas legendas nanicas. Esta última ideia foi defendida por Renzi durante a consulta.
Alguns nomes já estão sendo especulados. São eles: os ministros das Relações Exteriores, Luigi Di Maio (M5S), e dos Bens Culturais, Dario Franceschini (PD), o comissário de Economia da União Europeia, Paolo Gentiloni (PD), e até o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi, que guiaria um gabinete técnico capaz de atrair parte da oposição conservadora.
No entanto, na última reunião de hoje, o secretário do Partido Democrático, Nicola Zingaretti, afirmou a Mattarella que uma solução para a crise precisa ser encontrada rapidamente e expressou seu apoio a Conte.
“Manifestamos a vontade de apoiar uma nomeação ao premiê que, mesmo no último voto de confiança, se revelou um ponto de síntese e de equilíbrio avançado”, afirmou.
O apoio do PD tem como objetivo garantir um “governo que tenha uma ampla e sólida base parlamentar, que siga melhor a tradição europeísta”.
Zingaretti ressaltou que a Itália precisa de reformas e uma lei eleitoral proporcional para “combater a pandemia, continuar a campanha de vacinação, ativar o fundo de recuperação, assegurar e relançar escolas, universidades e sistema de saúde”.
No entanto, ele não disse como um novo governo poderia ser formado sem o apoio do Itália Viva.
As consultas no Palácio do Quirinal, em Roma, continuam nesta sexta-feira, com grupos parlamentares e partidos políticos, incluindo o Irmãos da Itália, Força Itália, Liga e M5S. (ANSA)