Renan Santos acena a Caiado e critica Flávio Bolsonaro

Pré-candidato à Presidência associa senador a escândalos e vê mercado evitando bolsonarismo

Renan Santos, presidente do MBL e do partido Missão, nos estúdios IstoÉ: 'Lula está aí porque Bolsonaro foi presidente'
Renan Santos, presidente do partido Missão, nos estúdios IstoÉ: 'Lula está aí porque Bolsonaro foi presidente' Foto: IstoÉ

O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) sinaliza abertura para alianças políticas com nomes da direita, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), após pesquisa Genial/Quaest reforçar sua viabilidade eleitoral. Em evento com investidores em São Paulo, nesta quarta-feira, 10, Santos criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que “votar no Flávio é votar em bandido”.

O que aconteceu

  • Pré-candidato Renan Santos abre diálogo para alianças na direita, visando fortalecimento eleitoral após pesquisa.
  • Críticas severas a Flávio Bolsonaro marcam discurso de Santos, que o associa a escândalos e esquemas.
  • Santos avalia pesquisa Genial/Quaest e projeta crescimento, destacando menor rejeição e potencial nas redes sociais.

Renan Santos associou o senador a escândalos e afirmou que não há meio-termo na avaliação sobre o adversário, além de reforçar que vê o apoio a Flávio como uma escolha incompatível com o que considera aceitável na política. “Como eu digo, o Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo, ele vê um esquema e fala: “por favor, me inclua”. Não existe meio gângster”, afirmou.

Críticas diretas ao bolsonarismo

O presidenciável disse que está aberto a negociações com outros nomes da direita, especialmente Caiado, com quem lembrou já ter atuado em momentos decisivos, como no impeachment de Dilma Rousseff (PT), e avaliou que a parceria deu resultados. “A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, disse. Ele acrescentou que não descarta conversar com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), mas criticou o que chamou de “submissão ao bolsonarismo”.

Apesar da sinalização, Renan Santos afirmou que precisa “se provar” eleitoralmente antes de avançar nas negociações e disse acreditar que pode ultrapassar os concorrentes ao comentar os resultados da pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 10.

Pesquisa Genial/Quaest mostra que, no cenário estimulado de primeiro turno, Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Caiado (também 3%), o deputado federal Aécio Neves (PSDB) e Zema, que têm 2% cada um. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 39%, seguido do senador Flávio Bolsonaro, com 29%.

Como Renan Santos avalia sua viabilidade eleitoral?

Sobre a pesquisa, o pré-candidato argumentou ainda que possui menor rejeição do que adversários como Flávio Bolsonaro e maior potencial de crescimento, impulsionado pela militância e pelo engajamento nas redes sociais.

Renan Santos também fez críticas ao posicionamento do mercado financeiro, especialmente da chamada Faria Lima, que, segundo ele, passou a atuar como força política nos últimos anos. O pré-candidato afirmou que o setor errou ao apoiar o bolsonarismo no passado, o que, em sua avaliação, contribuiu para a volta do presidente Lula.

Mercado financeiro e a polarização política

Ele disse, porém, que vê uma mudança de postura entre agentes do mercado, que estariam evitando aderir à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e passando a buscar alternativas fora da polarização entre petismo e bolsonarismo. Afirmou ainda que, nos últimos meses, também tem conseguido quebrar o que chamou de resistência ao seu nome no mercado financeiro.

A avaliação foi compartilhada por participantes do evento promovido pela Genial Investimentos. Nos bastidores, empresários e investidores ouvidos pela reportagem apontam uma “maior musculatura e amadurecimento” na pré-candidatura de Renan Santos desde o início da campanha. Ao mesmo tempo, relatam ressalvas em relação ao senador Flávio Bolsonaro, citando episódios recentes, como a divulgação de áudio em que ele aparece em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A leitura é de que a campanha do senador segue enfrentando desgaste à medida que novos fatos vêm à tona, somados ao histórico de controvérsias, como o caso das “rachadinhas” quando ele exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

*Com Estadão Contéudo