Relógio do Juízo Final mais perto que nunca do apocalipse

Relógio do Juízo Final mais perto que nunca do apocalipse

"BoletimBoletim dos Cientistas Atômicos avançou os ponteiros quatro segundos, aproximando simbolicamente o fim do mundo, em meio a crescentes preocupações com armas nucleares, mudanças climáticas e desinformação.O Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock, em inglês), que simbolicamente mede a iminência do fim do mundo, aproximou-se da catástrofe como nunca antes nesta terça-feira (27/01), em meio a crescentes preocupações com armas nucleares, mudanças climáticas e desinformação.

O Boletim dos Cientistas Atômicos moveu os ponteiros para 85 segundos para a meia-noite, ponto teórico do fim do mundo. Isso é quatro segundos a menos do que foi definido no ano passado.

A organização sem fins lucrativos sediada em Chicago criou o relógio em 1947, durante as tensões da Guerra Fria que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, para alertar o público sobre o quão perto a humanidade estava de destruir o mundo.

Um ano após início do 2° mandato de Trump

O anúncio ocorre um ano após o início do segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump , que desestabilizou a ordem mundial, ordenou ataques unilaterais e retirou os Estados Unidos de diversas organizações internacionais.

Rússia, China, Estados Unidos e outros países importantes "tornaram-se cada vez mais agressivos, hostis e nacionalistas", afirmou o grupo de cientistas, em um comunicado anunciando o avanço do relógio, uma decisão tomada após consulta a um comitê que inclui oito laureados com o Prêmio Nobel.

"Entendimentos globais arduamente conquistados estão se desfazendo, acelerando uma luta pelo poder em larga escala, onde o vencedor leva tudo, e minando a cooperação internacional, que é essencial para reduzir os riscos de guerra nuclear, mudanças climáticas, uso indevido da biotecnologia, a ameaça potencial da inteligência artificial e outros perigos apocalípticos", alertaram.

Riscos de corrida armamentista

O comitê também alertou para os crescentes riscos de uma corrida armamentista nuclear, considerando que o Tratado Novo START sobre a redução de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia expira em 4 de fevereiro, e Trump está pressionando para implementar um sistema de defesa antimíssil dispendioso, o "Domo de Ouro" , que colocaria armas em órbita.

O boletim também destacou os níveis recordes de emissões de dióxido de carbono, o principal fator do aquecimento global. Nessa área também, Trump reverteu radicalmente a política dos EUA no combate às mudanças climáticas.

Outro fator de preocupação entre os cientistas é a desinformação. "Estamos vivendo um apocalipse da informação, a crise subjacente a todas as crises, alimentada por uma tecnologia predatória que espalha mentiras mais rápido do que fatos e prospera em nossas divisões", declarou Maria Ressa, jornalista investigativa filipina e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2021.

"Falha global de liderança"

"É claro que o Relógio do Juízo Final trata de riscos globais, e o que temos visto é uma falha global de liderança", disse à agência de notícias Reuters a especialista em política nuclear Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim. "Independentemente do governo, uma mudança em direção ao neoimperialismo e a uma abordagem orwelliana de governança só servirá para empurrar o relógio para a meia-noite."

Esta foi a terceira vez nos últimos quatro anos que os cientistas aproximaram o relógio da meia-noite.

"Em termos de riscos nucleares, nada em 2025 apresentou uma tendência na direção certa", disse Bell. "Estruturas diplomáticas de longa data estão sob pressão ou entrando em colapso, a ameaça de testes nucleares explosivos retornou, as preocupações com a proliferação estão crescendo e três operações militares estavam ocorrendo sob a sombra de armas nucleares e a ameaça de escalada associada. O risco de uso nuclear é insustentavelmente e inaceitavelmente alto."

O Boletim dos Cientistas Atômicos, organização fundada por Albert Einstein , Robert Oppenheimer e outros cientistas nucleares da Universidade de Chicago, inicialmente definiu o Relógio do Juízo Final para sete minutos para a meia-noite em 1947.

No ano passado, ele avançou mais, mas apenas um segundo, de 90 segundos para 89 segundos para a meia-noite, em meio a expectativas cautelosas após as promessas do recém-empossado presidente Trump de buscar a paz.

md/ra (AFP, Reuters)