Relatos de abuso sexual contra treinador de jiu-jítsu vêm a público

Em entrevista, ex-alunas detalham conduta criminosa; Melqui Galvão está preso e o caso segue sob investigação

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Foto: Reprodução/Redes sociais

Melqui Galvão, ex-treinador de jiu-jítsu que foi preso em 27 de abril pela Polícia Civil sob acusações de abuso sexual contra alunas, teve expostos relatos de importunação sexual e estupro. Durante entrevista, as vítimas detalharam os crimes. Mica Galvão, multicampeão da modalidade, havia se pronunciado sobre o assunto: “Que a Justiça cumpra seu papel”.

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A entrevista foi concedida ao Fantástico, programa semanal da TV Globo. As ex-alunas de jiu-jítsu de Melqui narraram como os crimes foram cometidos no período em que conviviam com o suspeito. Uma das adolescentes havia detalhado a conduta aos pais, que receberam como resposta um áudio de 16 minutos enviado por Galvão.

Na gravação de voz, o réu admite o ato de maneira indireta ao alegar ter “tocado”, de forma breve, na barriga exposta de uma das garotas. “Eu não coloquei a mão por baixo da blusa da sua filha. A barriga dela estava aparecendo e eu toquei na barriga dela. Eu achei que ela estivesse dormindo, uns três segundos, no máximo”, confessou Galvão.

Ele ainda levantou a hipótese de que a vítima teria “segundas intenções” para com ele, ao supostamente tratá-lo de uma maneira que “nenhuma aluna” o tratava. “Isso me levou a crer que existia alguma coisa ali, além de um sentimento entre aluna e professor”. Em resposta, a mãe da vítima demonstrou espanto com as falas do treinador. “Ali, ele mostrou que nunca viu a minha filha como a atleta que ela era, mas sempre com outros olhos”, declarou.

No mesmo áudio, Melqui Galvão teria coagido os pais da vítima para que não denunciassem o caso, alegando que as acusações contra ele eram graves e que uma possível denúncia poderia prejudicar muitas pessoas.

Outros relatos

Outra vítima, também não identificada, disse que, à época com 12 anos, Galvão teria lhe oferecido presentes e benefícios, como quimonos e investimentos para viagens, o que teria facilitado a aproximação. “Com isso, ele pediu para um dia me buscar na escola. Foi quando pediu para passar a mão nele”, disse a jovem, hoje maior de idade.

Quando ela havia completado 14 anos, Galvão a teria conduzido a um motel. Na ocasião, ele supostamente consumou o ato sexual. “Ele sempre quis passar para mim que era uma situação normal, que ele já tinha tido relações com outras alunas”, descreveu.

Defesa alega inocência

De acordo com a Rede Globo, a defesa declarou que o lutador é inocente de todas as acusações que ocasionaram sua prisão. Segundo os advogados, Melqui Galvão nega com veemência a prática de qualquer ilícito.

Em nota à IstoÉ, a Secretaria da Segurança Pública declarou que o caso é investigado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A polícia ouviu os pais das vítimas, que apresentaram a gravação de 16 minutos na qual Melqui admite o contato físico, bem como mensagens trocadas com ele, nas quais foram verificados indícios da prática criminosa.

Também foram deferidos mandados de busca e apreensão, devidamente cumpridos pela equipe da 8ª DDM. Na noite da prisão temporária, o suspeito se entregou à Polícia Civil do Amazonas. Ao longo das diligências, foram identificadas outras duas vítimas.

Melqui Galvão se destacou no jiu-jítsu como treinador de atletas de alto rendimento. Pai e técnico de Mica Galvão, ele participou da formação de nomes relevantes da modalidade. Ele também atua como policial civil no Amazonas. Nos últimos anos, expandiu sua atuação para São Paulo, onde passou a comandar equipe e academia próprias.

Mica Galvão lamenta

O filho e multicampeão de jiu-jítsu, Mica Galvão, lamentou o ocorrido. “É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez, ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter. Ao mesmo tempo, me sinto na obrigação de ser honesto: que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel”, disse.

Por meio de uma rede social, a Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) manifestaram profunda indignação. Em nota oficial, as entidades informaram que Melqui Galvão será banido definitivamente de seus quadros e não poderá mais participar de eventos e atividades promovidos pelas instituições.

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