Economia

Relatório interno aponta que Banco Mundial lidou mal com relatos de assédio sexual

Relatório interno aponta que Banco Mundial lidou mal com relatos de assédio sexual

Sede do Banco Mundial - AFP/Arquivos


O Banco Mundial lidou mal com as denúncias de assédio sexual feitas por várias mulheres contra um funcionário, que mais tarde se tornou ministro na Costa Rica, de acordo com as conclusões de um tribunal interno do banco.

O caso envolveu relatórios perturbadores que datam de 2009, segundo os quais o oficial convidou jovens colegas para quartos de hotel, tentou enganá-las para beijá-lo e fez comentários inadequados a elas.

O funcionário foi rebaixado, mas não demitido do cargo, de acordo com o tribunal administrativo que representa o último recurso para os funcionários que apresentam queixas.

Esta é a polêmica mais recente nesta instituição financeira sediada em Washington, depois que uma investigação interna revelou que autoridades pressionaram economistas a alterar os resultados de relatório “Doing Business”, que classifica os países de acordo com suas políticas favoráveis aos negócios.

O relatório envolveu a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, que ocupava um cargo de alto nível no Banco Mundial. Mas, na semana passada, o conselho do FMI expressou confiança em Georgieva e concluiu que ela não estava “desempenhando um papel inadequado”.

As descobertas no caso de assédio sexual foram detalhadas em um relatório publicado nesta segunda-feira (18) pelo The Wall Street Journal, que identificou o oficial como Rodrigo Chaves, um candidato presidencial da Costa Rica que serviu por um breve período como ministro das finanças do país.

“Este caso deu visibilidade às deficiências na abordagem do Banco quanto à responsabilidade por assédio sexual e proteção de pessoal”, disse o relatório do tribunal, que identificou o funcionário apenas como “Sr. C”.

Chaves negou qualquer irregularidade ou atribuiu-a a diferenças culturais, mas a investigação, com entrevistas com 27 testemunhas, descreveu um padrão de “avanços implacáveis e indesejados”.

Annette Dixon, vice-presidente de recursos humanos do Banco Mundial, disse que a instituição está “fortemente comprometida em promover um ambiente de trabalho seguro, livre de assédio e abuso e onde os funcionários se sintam autorizados a relatar alegações de irregularidades”.

“Como muitas organizações de grande porte, sabemos que sempre podemos fazer melhor”, reconheceu em um comunicado.

Em janeiro, o Banco Mundial impôs a proibição de “não recontratação” de Chaves e o baniu das instalações. O tribunal interno também ordenou que o BM pague os custos judiciais de duas das mulheres.

Chaves, que trabalhou no banco por quase 27 anos, renunciou em 30 de novembro de 2019 logo após ser rebaixado e posteriormente se tornou ministro das finanças da Costa Rica, onde manteve relacionamento com seu antigo empregador.

Ele renunciou ao cargo de ministro em maio de 2020 em meio a disputas com o presidente Carlos Alvarado sobre gastos. Atualmente é candidato às eleições presidenciais de fevereiro.


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