Mundo

Relatório de impeachment acusa Trump de abuso de poder

Relatório de impeachment acusa Trump de abuso de poder

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos jardins da Casa Branca em 9 de novembro de 2019. - AFP

WASHINGTON, 3 DEZ (ANSA) – O Comitê de Inteligência da Câmara dos Estados Unidos revelou nesta terça-feira (3) um relatório no qual afirma que o presidente Donald Trump “usou o poder de seu cargo para solicitar interferência estrangeira a seu favor nas eleições de 2020”. De acordo com o documento, o “esquema” do republicano “subverteu a política externa dos Estados Unidos em relação à Ucrânia e desgastou nossa segurança nacional em favor de duas investigações de motivações políticas que poderiam ajudar sua campanha presidencial rumo à reeleição”. O relatório, que é uma das etapas do inquérito de impeachment contra Trump e resultado de audiências realizadas ao longo dos últimos dois meses, ainda informa que a “evidência de má conduta do presidente é esmagadora”. O presidente norte-americano é acusado de pedir ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar o ex-vice-presidente e pré-candidato democrata à Casa Branca Joe Biden e o filho dele, Hunter. Na polêmica, Hunter foi acusado por Trump de que ele teria cometido ilegalidades enquanto seu pai estava na Casa Branca.

Em 2016, o ex-vice de Barack Obama pressionou pela demissão de um procurador ucraniano que era tido como corrupto pelos EUA e pela União Europeia, mas que na época investigava uma empresa de energia que tinha Hunter como conselheiro.

Trump questiona os motivos por trás da pressão de Biden sobre Kiev e ainda acusa o filho do pré-candidato de ter feito negócios na China durante uma viagem oficial de seu pai. O republicano teria pressionado a Ucrânia a investigar os Biden durante um telefonema em julho deste ano e também pediu publicamente para a China apurar sua suspeita.

A pressão de Trump sobre Kiev motivou a abertura de um inquérito de impeachment na Câmara dos Representantes, que é dominada pelo Partido Democrata, por suspeita de abuso do poder do cargo para fazer um líder estrangeiro investigar um adversário político. O magnata, por sua vez, afirma que não houve nenhuma troca de favores que pudesse levá-lo a perder o cargo, apesar de não negar que tenha conversado sobre o assunto com o líder ucraniano. No documento revelado hoje pelo Comitê de Inteligência da Câmara é relatada duas possíveis irregularidades cometidas por Trump: má conduta e obstrução. Na primeira, o republicano condicionou um encontro oficial e ajuda militar à Ucrânia a anúncios de investigações que favoreceriam sua campanha pela reeleição. Já a segunda, ele obstruiu o inquérito de impeachment ao instruir testemunhas e agências que ignorassem as intimações oficiais da Câmara, de maioria democrata.

Agora, a partir de amanhã (4), serão realizadas as audiências que determinarão as acusações formais que serão apresentadas aos deputados norte-americanos. (ANSA)