Relatório da PF deve implicar Bolsonaro em tentativa de golpe com conhecimento sobre trama para matar Lula

Relatório da PF deve implicar Bolsonaro em tentativa de golpe com conhecimento sobre trama para matar Lula

A Polícia Federal deve apontar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como figura central de uma tentativa de golpe de Estado, com pleno conhecimento de um plano para executar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As informações estarão no relatório final da PF sobre o caso, que deve ser entregue ao STF nesta quinta-feira, 21.

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Fontes da PF revelaram ao site IstoÉ que há fortes evidências do envolvimento de Bolsonaro, incluindo mensagens trocadas por seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, e por Mário Fernandes, ex-número dois da Secretaria-Geral da Presidência. As mensagens indicam que o ex-presidente teria dado aval para o “assessoramento” no caso.

Investigadores destacaram que o novo depoimento de Mauro Cid ao STF, nesta quinta, será crucial para corroborar as acusações. O militar compareceu à Suprema Corte para audiência com Moraes, onde seu acordo de delação premiada está em jogo, podendo resultar no cancelamento do benefício e consequente retorno à prisão.

Além de Bolsonaro, o relatório da PF prevê o indiciamento de Walter Braga Netto, ex-ministro e vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022. Militares de alta patente e outros ex-ministros do governo Bolsonaro também deverão ser implicados no caso.

O site IstoÉ entrou em contato com a defesa do ex-presidente, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto à manifestação.

O indiciamento

Essa formalização ocorre quando o inquérito policial conclui haver indícios de que o investigado cometeu ao menos um crime, com base em evidências coletadas pelos policiais. O ex-presidente já foi indiciado anteriormente nas investigações das joias sauditas e das fraudes em cartões de vacina.

Bolsonaro não se torna réu com o indiciamento. Após a conclusão do inquérito pela PF, os indiciamentos são apresentados ao Ministério Público, neste caso à Procuradoria-Geral da República, que analisa as provas e decide por apresentar ou não denúncias à Justiça.

Em caso positivo, as denúncias são oferecidas ao Supremo. Se o tribunal aceitá-las, os denunciados se tornam réus e o caso vira um processo criminal, ao fim do qual ocorre a condenação ou absolvição dos hoje indiciados.